Pochettino e as acusações ao Manchester City: «Nenhum castigo será suficiente»
Mauricio Pochettino abordou sem rodeios o caso das infrações financeiras imputadas ao Manchester City na Premier League. Para o atual selecionador dos Estados Unidos, qualquer eventual castigo que venha a ser aplicado será incapaz de reparar os prejuízos causados à competição, aos clubes e aos adeptos.
Com passagens por Tottenham, Chelsea e Southampton, o técnico argentino questionou a eficácia da fiscalização do campeonato inglês e destacou o esforço dos emblemas que cumpriram as normas. «Muitos clubes seguiram as regras e alguns não. Talvez tenham pensado que o castigo nunca chegaria. É justo perguntar agora onde estavam os controlos para que as regras fossem violadas dessa maneira. Isso é o que mais me chama a atenção», vincou, em conferência de imprensa.
O treinador recordou as restrições que viveu na pele ao serviço dos spurs, exemplificando com o período em que a equipa foi vice-campeã atrás do Chelsea, em 2016/17, e atingiu as meias-finais da Champions. «Lutávamos por títulos com quem estava acima de nós e mantivemo-nos sempre entre os quatro primeiros, chegando às meias-finais da Champions sem poder contratar nenhum jogador durante 18 meses. Foi tudo porque precisávamos de nos adaptar ao controlo financeiro da Premier League? Foram muito rigorosos connosco, mas também muito permissivos com os outros. Por isso digo que é tudo muito estranho», salientou.
Quanto ao desfecho do processo, Pochettino considera difícil definir uma medida justa — seja uma multa pesada ou a perda de pontos — perante a gravidade dos factos. «É muito difícil saber qual deveria ser o castigo. Seja qual for a decisão, é impossível voltar atrás no tempo. Nenhum castigo será suficiente. Causou-se muito dano», referiu o técnico, lamentando a ausência de equidade: «No Tottenham tínhamos de nos reger por regras restritas que nos eram impostas... como é que esses controlos foram tão taxativos connosco e com outros nem tanto? É triste. É uma tristeza enorme. Vivemos algo em que não existia justiça desportiva.»
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