Schjelderup mostrou-se em grande nível no Bernabéu. Foto IMAGO
Schjelderup mostrou-se em grande nível no Bernabéu. Foto IMAGO

Pecados centrais atrás e poucos de cada vez na frente (as notas do Benfica)

Boa atitude não foi suficiente, sobretudo por pouca acutilância ofensiva e dois erros pontuais na defesa, fatais perante equipas como o Real Madrid. Norueguês e Rafa, a espaços, ainda abanaram os merengues
A figura do Benfica - Schjelderup (7)
Está um caso sério, como que a confirmar a existência de jogadores que precisam de alguma continuidade e muita confiança para mostrarem o verdadeiro potencial. Ou, mais exatamente, para transformar em ato o que se sabe terem em potência. Aparece nos espaços, mostra-se à equipa, recua quando é preciso e quando recebe a bola assume a posse, não necessariamente (ou sempre) com grandes cavalgadas e sobressaltos para a frente, mas também, e muitas vezes, com critério, temporização e análise do que podem os companheiros fazer em seu redor e qual a melhor solução para romper linhas do adversário. Está nos melhores lances de ataque encarnados e aos 68 minutos fica a sensação de que poderia ter coroado a exibição com um golo quiçá decisivo. Não rematou, foi pena.

5 Trubin — Jogo extremamente ingrato para um guarda-redes capaz de resolver sem sobressaltos o que pôde resolver (remates fracos ou à figura, cruzamentos insípidos) e absolutamente impossibilitado, pelas circunstâncias, de evitar os golos do adversário. Nem ele nem ninguém o poderia ter feito.

6 Dedic — Foi dos melhores jogadores do Benfica, sobretudo na primeira parte e nas tarefas ofensivas. Foi visto várias vezes fora da zona atrasada, perfeitamente englobado nas tentativas de ataque encarnadas. É claro, já se sabe, que tinha como adversário direto Vini Jr., e isso não se deseja a ninguém. Aos 32 minutos o brasileiro fez dele gato-sapato na área e ofereceu o que teria sido o 2-1, invalidado por posterior fora-de-jogo de Gonzalo, mas isto não é suficiente para baixar a nota do bósnio. Até porque iniciou a jogada do golo encarnado e aos 70 minutos foi brilhante na dobra a mais um erro central e evitou um golo de Valverde.

4 Tomás Araújo — Tinha sido absolutamente brilhante na primeira mão, desta feita leva uma noite para recordar mas não pelas melhores razões. Sem uma grande tormenta atacante madridista, fica ligado a dois golos do Real, um deles invalidado (o de Guler aos 32 minutos). Neste não chegou ao turco. Aos 80 minutos, no segundo, que valeu, falhou abordagem no meio-campo a Valverde, que isolou Vinícius, e a eliminatória ficou decidida.

4 Otamendi — Exibição mais ou menos plasmada da do companheiro do eixo defensivo. Noite relativamente tranquila, acerto generalizado (belo corte a remate de Guler aos 48 minutos), mas erro capital no primeiro golo espanhol, com um passe disparatado que Tchouameni intercetou para vir, mais tarde, a concluir a jogada.

5 Dahl — Discreto e na maior parte das vezes competente. Foi mais cauteloso no seu flanco, perante a maior ousadia de Dedic no lado contrário, e segurou o lado direito ofensivo do Real sem problemas de maior. Foi muito raro permitir espaço a Alexander-Arnold, que era na realidade o extremo merengue.

5 Leandro Barreiro — Trabalho de sapa no meio-campo e ainda um ou outro atrevimento na frente, um dos quais deu enorme frenesi na área espanhola, aos 60 minutos. Raramente sobressai, mas mata-se a trabalhar e mantém intensidade no jogo.

6 Aursnes — Foi o pêndulo do costume durante a maior parte do tempo. Posicionado à partida no duplo pivô do meio-campo, foi justamente a partir daí que depois surgiu à esquerda, à direita, ao centro, na área do Real, na área do Benfica. Aos 70 minutos teve medo de fazer falta sobre Valverde e quase deixava o capitão madridista marcar, valeu Dedic.

6 Ríos — Era aguardado no meio, formalmente foi interior direito, mas na verdade andou sempre ali numa posição híbrida que conferiu equilíbrio no centro mas teve o preço, às vezes, de deixar Dedic desamparado perante Vinícius Júnior. Um bom jogo global, com notas para a participação na boa jogada do golo de Rafa e para o remate mais perigoso do Benfica, que proporcionou a Courtois mais uma boa defesa nesta eliminatória.

7 Rafa — Desta vez teve espaço para se virar para a baliza e aplicar velocidade ao jogo. Mostrou-se atrevido no drible e na tentativa de remate desde muito cedo, mantendo um jogo assertivo até final. Marcou, oportuno, o golo encarnado, dinamizou vários ataques, arrancou amarelo a Asencio, atirou uma trivela de classe à barra e logo após o 2-1 quase empatava de calcanhar.

5 Pavlidis — Jogo ingrato, em que procurou muitas vezes vir atrás, como tão bem sabe fazer, mas raramente conseguiu espaços. Cruzou para o golo de Rafa e teve um remate perigoso ao lado da baliza de Courtois. Aos 56 minutos podia ter comprometido quando quis sair a jogar à saída da própria grande área.

Barrenechea — Entrou e chegou a tocar na bola, mas estava tudo decidido e acabado.

Ivanovic — Ainda teve tempo para uma ou outra iniciativa insípidas.

Sidny Cabral — Sofreu falta e bateu um livre indireto, já pode dizer que jogou no Bernabéu.