Griswold, de 29 anos, tem paralisia cerebral e não voltará a competir. IMAGO
Griswold, de 29 anos, tem paralisia cerebral e não voltará a competir. IMAGO

Paralímpico banido por abuso sexual de colega de equipa autista

Robert Griswold violou um companheiro de seleção com capacidade mental de uma criança de cinco anos. Agora, a carreira do nadador reincidente que, entre 2015 e 2022, amealhou 14 medalhas em Campeonatos do Mundo, seis das quais de ouro, e dois ouros no Jogos Tóquio2020, chegou ao fim

O nadador paralímpico Robert Griswold foi banido para sempre pelo Centro para o Desporto Seguro dos Estados Unidos (SafeSport) na sequência de acusações de má conduta sexual. A decisão foi anunciada esta segunda-feira e coloca um ponto final num escândalo que marcou a natação e o desporto paralímpico americano nos últimos anos.

O caso centra-se em alegações de que Griswold, de 29 anos, agrediu sexualmente um colega de equipa com deficiência durante os treinos no Colorado e também nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, em 2021. Embora uma ação judicial intentada em 2022 tenha sido posteriormente arquivada, o SafeSport iniciou uma investigação sobre um alegado padrão de aliciamento e agressão que terá começado durante a viagem para Tóquio.

A nova CEO do SafeSport, Benita Fitzgerald Mosely, afirmou em comunicado de imprensa que «a responsabilização é o caminho para uma mudança cultural a longo prazo». Acrescentou ainda: «Estamos gratos àqueles que partilham as suas histórias, porque permitem que o Centro tome medidas e proteja outros».

Os advogados do queixoso, cujo nome foi divulgado nas acusações de 2022, consideraram que «as conclusões marcam um passo importante em direção à responsabilização e à justiça». Na altura, a ação judicial incluía alegações de encobrimento e má gestão do caso por parte do Comité Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos, mas a decisão de segunda-feira visa apenas Griswold.

Recorde-se que o nadador, que sofre de paralisia cerebral, já tinha sido suspenso em 2020, reintegrado em 2021 e novamente suspenso temporariamente em 2022, o que levou ao seu afastamento da equipa. O registo de Griswold na base de dados do SafeSport indica que a decisão está «sujeita a recurso/ainda não finalizada» e inclui uma diretiva de proibição de contacto.

Frank Salzano faz parte da equipa de advogados que representa Parker Egbert, de 19 anos , que fez a acusação e dividiu o quarto com Griswold nos Jogos Paralímpicos de Tóquio e, posteriormente, no centro de treinamento do Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos (USOPC) em Colorado Springs. Apesar de Griswold já ter aparecido no banco de dados SafeSport por alegações de má conduta em setembro de 2020, ele atuou como «acompanhante» de Egbert, que nasceu com autismo e «tem a capacidade mental de uma criança de 5 anos».

Griswold teria aliciado e abusado de seu colega de equipa por mais de um ano, violando-o de forma tão violenta que foi necessária uma cirurgia. A família não se conforma com a impunidade sobre o Comité Paralímpico que já tinha tido denuncias e não protegeu «um atleta vulnerável de um predador conhecido. Os danos físicos e emocionais causados ​​por Robert Griswold são irreparáveis ​​e todo o USOPC deveria ser destituído pela indiferença, por proteger o agressor e por tê-lo reintegrado».

Robert Griswold tem um palmarés notável, com destaque para duas medalhas de ouro nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, nos 100 metros costas S8 (com um recorde mundial que ainda se mantém) e nos 100 metros mariposa S8. Conquistou também um bronze nos 100 metros costas S8 nos Jogos de 2016. Entre 2015 e 2022, amealhou um total de 14 medalhas em Campeonatos do Mundo de Natação Paralímpica, seis das quais de ouro.