Enorme SC Braga — tudo menos obra do acaso. Foto Imago
Enorme SC Braga — tudo menos obra do acaso. Foto Imago

Parabéns, Braga! Há dois 'Portugais' no futebol. Qual queremos?

Há um futebol portuguesinho que se desvaloriza sistematicamente a si próprio e se perde em controvérsias de lana-caprina; depois há o futebol de Portugal na Europa e na Seleção. Qual queremos?

Não se trata apenas de uma reviravolta num qualquer jogo de meio da época. Não foi na Liga nem na Taça de Portugal, onde o SC Braga tem vindo a mostrar ser capaz de cada vez mais, e lá virá o dia da grande conquista que o clube ambiciona.

Não se trata, sequer, de virar ao contrário uma eliminatória e um jogo fora de casa frente a um oponente de valor (facial e real) similar.

Não se trata de um bambúrrio que acontece duas ou três vezes numa vida, e na maior parte das vezes tem de ser uma vida com sorte.

Trata-se de ter uma eliminatória praticamente sentenciada à meia hora de jogo, no campo do atual quinto classificado do campeonato espanhol, e conseguir virar de 0-2 para 4-2 com classe, eficácia e muita personalidade.

Aconteceu há 15 anos na mesma cidade, é bom não esquecer. O adversário era o outro grande de Sevilha e o sonho bracarense foi travado pelo FC Porto na final de Dublin.

Já não há grandes coincidências, antes um crescimento sustentado das equipas portuguesas no seu desempenho fora de portas. Claro que tem havido anos piores e, se falarmos da UEFA Champions League, bem sabemos que a conquista do FC Porto em 2004 é pouco menos que irrepetível. Mas em 2025/2026, eis que voltámos a estar nos quartos de final.

Das quatro equipas que seguiram para as fases de liga das competições, todas se apuraram. Uma — o Benfica — caiu no play-off diante do Real Madrid, discutindo a eliminatória. Outras duas — Sporting e FC Porto — perderam nos quartos para formações inglesas pela margem mínima, ambas penalizadas pela primeira mão que jogaram em casa e com oportunidades suficientes para seguir em frente (os dragões, ontem, com 10 na maior parte do tempo de jogo). É futebol.

Sobre a Seleção Nacional não vale a pena acrescentar grandes dados — apresenta-se (e assume-o) como candidata ao título mundial no torneio do próximo verão. Este é o futebol português? Era bom.

A verdade é que quando fazemos zoom para o cantinho oeste da Europa continental fica tudo menos interessante, mais pequeno, mais mesquinho, mais polémico, mais contrário ao que deveria ser o desporto e a indústria, e neste caso ambos os lados da moeda do futebol podem queixar-se, porque a nenhum — ao puro e ao comercial — aproveita o estado a que deixámos chegar a convivência entre agentes. Imaginemos um esforço...