Pai de Bublik diz que o filho não fala com ele. IMAGO
Pai de Bublik diz que o filho não fala com ele. IMAGO

Pai de Bublik quebra silêncio e diz que filho não fala com ele

O tenista russo, atualmente no 11.º lugar do ranking mundial, já disse publicamente que não queria que os seus filhos seguissem as suas pisadas e a má relação parental tem um histórico

Stanislav Bublik, pai e primeiro treinador do tenista Alexander Bublik, revelou numa entrevista ao meio de comunicação russo Sports os detalhes da dolorosa rutura pessoal com o filho, abordando também os sacrifícios económicos e a exigência que marcaram a formação do atleta cazaque.

A relação entre ambos está atualmente cortada, mas Stanislav faz questão de esclarecer a sua perspetiva sobre o afastamento. «Não sou eu que não falo com ele, é ele que não fala comigo. São coisas muito distintas», afirmou, explicando como interpreta o silêncio do filho: «Entendo que o meu filho não vai falar comigo. Assim, evita não só o tema económico, mas também confrontar-se com tudo o que sabe que fiz por ele».

Stanislav foi a figura central no desenvolvimento de Alexander, treinando-o desde a infância até à sua entrada no top 50 mundial. Durante este percurso, abdicou de uma carreira mais lucrativa para se dedicar inteiramente ao filho. «Decidi não ganhar dinheiro, mas sim ajudar o meu filho a chegar onde chegou», recordou, sublinhando que deixou empregos mais bem remunerados para o poder acompanhar nos torneios.

A intensidade da dedicação paterna era tal que o próprio Stanislav admite que a sua ambição superava a do jovem tenista. «Eu queria mais do que ele. Por isso, na essência, ele não tinha escolha», confessou, lembrando uma frase que o filho lhe dizia frequentemente: «Pai, tu queres que eu jogue ténis mais do que eu próprio».

A exigência era uma constante, com o pai a admitir que tinha de o forçar a trabalhar «sempre». A justificação para esta pressão era clara: «Não queria que um dia ele me dissesse: 'Porque me deixaste a meio? Porque não me pressionaste mais?'».

Apesar da fratura na relação, Stanislav garante não guardar ressentimento e sentir apenas «alegria» pelos sucessos recentes de Alexander. Recorda, aliás, um momento marcante em 2019, quando o filho entrou pela primeira vez no top 50. «Naquela noite, ele disse-me pela primeira vez na vida: 'Pai, se não tivesses sido tão fanático pelo ténis, talvez eu nunca tivesse chegado'», partilhou, uma memória que ilustra a complexidade de uma relação onde a ambição desportiva e os laços familiares se misturaram até ao ponto de rutura.

Bublik nasceu na Rússia, mas naturalizou-se cazaque em 2016, alegando falta de investimento por parte da federação local no ténis, e conforme contou começou a jogar aos dois anos por imposição do pai que sempre teve o apoio da mãe. «Nunca tive escolha», lamentou, admitindo, no entanto, que se não fosse a disciplina familiar nunca teria chegado onde chegou.