O Sporting não é o Real Madrid ou o Bayern Munique

O Sporting caiu de pé e na realidade: para chegar mais além é preciso muita coisa e perceber como é diferente ser arbitrado na Europa.

Se quiser perceber de imediato o título do artigo, salte para os últimos parágrafos. Se quiser perceber como há muito mais pelo meio, venha daí.

O Sporting caiu em Londres - na realidade, caiu em Alvalade -, mas bateu-se até ao último minuto com o Arsenal por um lugar nos quatro melhores da Europa em 2025/26. Há quem defenda que este é o melhor Sporting da História.

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Pelo bicampeonato e pela campanha europeia há argumentos para defender a ideia. Tivesse o leão passado às meias-finais e seria difícil não o dizer, ainda que no tempo dos Violinos esta coisa da UEFA ainda não existisse e, portanto, haveria motivos para combater tal declaração. Em Londres, o Sporting bateu de frente com a realidade. Não pelo jogo, não pela exibição, mas pela eliminação, igual a tantas outras de equipas portuguesas.

Desde que o FC Porto foi campeão europeu, e incluindo essa edição, só três equipas fora de Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e França (as denominadas Big5) chegaram às meias-finais. O FC Porto campeão europeu, o PSV em 2004/05 e o Ajax em 2018/19.

O melhor que se consegue regularmente é, portanto, chegar aos quartos de final. E por aí, o Sporting pode dizer que cumpriu o objetivo que a realidade da liga nacional permite. Desde a conquista portista em Gelsenkirchen, houve um total de 24 presenças de equipas de ligas fora das "Big 5" nos 'quartos' da Champions League.

Listando: Portugal 15, Países Baixos 4 (duas delas nas meias-finais), Turquia 2, Ucrânia, Rússia e Chipre uma cada. Para passar para lá disto, é uma exceção à regra. Ou seja, talvez seja necessária uma ajuda, como fez a Eredivisie que, em 18/19 percebendo o momento histórico que o Ajax vivia, já nas meias-finais, adaptou o calendário. Algo que mereceu o aplauso de Sérgio Conceição na altura.

Portugal quer que a Liga ajude as equipas a melhor performance europeia, mas quando uma está à beira de fazer algo que só três na Europa conseguiram em mais de 20 anos, alguns criticam a mudança de um jogo com o Tondela. No fundo, é como diz Jorge Palma, ‘picado pelas abelhas’: «Ao chegar a vez de cada um, trabalhar para o bem comum, aí começaram os dissabores…»

Para chegar às meias-finais da Champions, uma equipa precisa de, primeiro, ser acima da média, de eficácia máxima, de sorte e outros fatores. Precisa que ‘aquela’ decisão seja a seu favor, precisa de perceber que a arbitragem num jogo europeu não é igual à liga portuguesa. Este é um ponto importante. Revejam-se as decisões, mas também as atitudes e comportamentos, incluindo dos leões. Na Europa não se arbitra igual à Liga, os estatutos mudam e facilmente o Sporting percebeu que não é o Real Madrid ou o Bayern Munique.