Os pontos fortes da Noruega, os dois que estão certos no onze e as dúvidas com Ronaldo e Bruno: tudo o que disse Jorge Jesus
OSLO — Quais são os principais desafios que a Noruega pode apresentar a Portugal?
— A Noruega é uma das equipas mais fortes da Europa. Tem jogadores muito fortes, como Haaland ou Odegaard, que jogam a um nível muito alto em Inglaterra. Vão criar-nos situações bastante difíceis para a nossa última linha, mas estou confiante de que, defensivamente, a equipa vai dar resposta — e que, ofensivamente, possamos ser mais criativos. A Noruega é muito difícil pela qualidade coletiva e individual que possui, como demonstrou no último Campeonato do Mundo. Tem uma dupla de pontas de lança que é, talvez neste momento, a melhor da Europa: Haaland e Sorloth [não está convocado]. Além disso, tem outros jogadores que também conhecemos do campeonato português. De uma coisa tenho a certeza absoluta: não vou ter medo nenhum da Noruega. Zero.
— Qual é o ponto mais forte da seleção norueguesa?
— Destaco a enorme qualidade física desta equipa. É forte no jogo aéreo e joga bem tecnicamente também. Tem uma ideia de jogo defensiva que vou tentar superar: pressing constante, não param de correr e têm uma velocidade de reação muito alta. Temos de estar preparados para isso, porque senão vamos perder muita bola na nossa fase de construção. Esse é o momento de jogo que mais me preocupa. A Noruega é poderosa ofensivamente, mas não vou olhar para o jogo ao contrário. Não vou escolher jogadores só porque o adversário é forte no ataque; vou olhar na perspetiva inversa: eles são fortes ofensivamente, mas nós também queremos ser.
— Como se trava Haaland?
— Haaland, neste momento, deve ser o melhor ponta de lança do mundo. Além da qualidade técnica que possui, é um jogador fisicamente muito forte. Junta as duas coisas. Reparem que ele faz golos de cabeça na área em que nem sequer precisa de saltar. Mas nós também temos as nossas capacidades.
— A presença de Rúben Dias no eixo defensivo pode ser uma mais-valia pelo conhecimento direto que tem do norueguês?
— Sim. E vou voltar a jogar com ele e com o Renato Veiga, porque é um central também fisicamente forte, que pode entrar no choque com o Haaland, ao contrário de outras opções. E o Rúben tem um conhecimento profundo dele. Mas não estamos preocupados apenas em relação a quem o vai defender individualmente; estamos mais preocupados em perceber como é que, coletivamente, podemos parar esta equipa ofensivamente, num ambiente que vai ser complicado. A Noruega é uma equipa que, no jogo com a Dinamarca, não parou. Sem bola, faz um pressing constante.
— Como está a recuperação de Nuno Mendes e qual a situação de Bruno Fernandes?
— O Nuno Mendes não é um grande problema, porque saiu com fadiga e não por lesão. Se eu quiser, posso lançá-lo no jogo, caso ele me dê um bom feedback no treino. O mais preocupante é o Bruno Fernandes, pois jogou com uma mazela na anca, mas quis muito jogar. Como viram, ele nem esteve ao nível habitual. Vamos ver se estará pronto para o jogo e o que os médicos vão dizer. Ele nem vai treinar. Anda há cerca de três jogos a atuar com aquela dor. Já conversei com ele e prefiro não arriscar, para tê-lo a cem por cento no jogo contra a Dinamarca.
— João Neves joga de início?
— Quando tenho jogos num espaço de dois ou três dias, normalmente não mexo na linha defensiva, a não ser por lesão. Amanhã vai acontecer a mesma coisa. Quanto ao João Neves, é um jogador que veio também com um pequeno problema do jogo do PSG. Falei com ele e disse-lhe: «Não te lanço no primeiro jogo, mas no jogo da Noruega vais jogar.» E amanhã vai jogar de início.
— Substituiu Rúben Neves contra o País de Gales para lançar Palhinha. João Palhinha será titular?
— Conheço o Rúben como a palma da minha mão. Já sei quando ele não está muito levezinho ou quando começa a ficar cansado. Ele tem uma forma de correr — que não vou revelar qual é — pela qual percebo que está a baixar a intensidade de reação e a velocidade, sobretudo defensiva, porque ofensivamente joga praticamente ao primeiro toque. Foi por essa razão que o João Palhinha entrou.
— Vai fazer muitas alterações na equipa?
— Saímos do jogo com Gales com um problema complicado no Bruno Fernandes e vamos ver até amanhã o que vai acontecer. Além disso, hoje é o segundo dia pós-jogo, amanhã é o terceiro. A experiência que tenho como treinador diz-me que, ao terceiro dia, nem todos os jogadores conseguem recuperar totalmente. Mas isso aplica-se tanto à Noruega como a Portugal. Vou trabalhar com um ou outro jogador que perceba que ainda não recuperou — sabendo sempre que o jogador que entra tem de dar tantas garantias como o que sai.
— Preferia defrontar a Noruega mais à frente no calendário?
— Claro que sim. Os jogos vão ser a minha base de trabalho. Dos selecionadores que entraram agora nesta fase, apenas eu e o treinador de França vencemos na estreia. É preciso acelerar o processo, arranjar soluções e ser criativo. Temos de saber gerir isso. São muitos anos de futebol, por isso é algo que não me atrapalha.
— Num dos treinos a que assistimos, Bernardo Silva treinou junto dos defesas e médios defensivos. É nessa posição que o imagina no futuro?
— É onde ele está a jogar atualmente no clube dele. Penso que o futuro do Bernardo vai passar por ser um segundo médio: um médio ofensivo a jogar ao lado do elemento mais defensivo, ou a partir de uma ala para jogar por dentro — não como extremo puro, mas como um terceiro médio interior para ajudar os companheiros quando estiverem em inferioridade física num sistema em 4x3x3. No entanto, aquele treino a que tiveram acesso foi apenas um pré-aquecimento para o jogo com Gales.
— Em relação a Cristiano Ronaldo, a exibição contra o País de Gales justifica a titularidade em Oslo?
— Vamos começar pelo rendimento dele nesse jogo: pode fazer melhor, como é óbvio, mas esteve perto de marcar. Jogou 65 minutos e vou avaliar como está — se o lanço de início ou se vai para o banco para entrar no decorrer do jogo. O 'Cris', queiramos ou não, já não é o João Neves. O João Neves tem 20 anos e pode fazer dois jogos seguidos em três dias. Ainda não sei se o Cristiano vai começar o jogo, mas uma coisa sei: se não for primeira escolha, entrará na segunda ou na terceira substituição.