Os jovens a despontarem e os maduros a marcarem (crónica)
Uma vitória clara é sempre melhor que uma derrota, seja ela clara ou escura. Nesta altura não vale pontos nem justifica entusiasmos por aí além, mas a imagem que o Sporting deixou no Estádio Algarve foi a de uma equipa em reconstrução, claro, mas de forma faseada e baseando o desejado crescimento no potencial de gente mais nova.
Num puro exercício teórico, podemos olhar para o onze inicial apresentado por Rui Borges no Algarve como um jogo de espelhos tendo em conta os jogadores que ainda podem sair e, sobretudo, os que ainda não estão com a equipa. A defesa, provavelmente, será toda para rever, ou pelo menos três quartos — faltavam só Fresneda, Inácio, Diomande e Maxi Araújo. Mas não sabemos se Maxi e Diomande ficam. Quaresma foi capitão e Mangas, que parecia na porta de saída, pode obrigar a compasso de espera, até pelo trabalho produzido neste jogo e que não se resume ao golo marcado.
Rui Borges foi obrigado a redinamizar o duo do meio-campo e tomou opção clara por um futebol mais musculado, oferecendo as primeiras oportunidades a Doumbia e Altimira. No trio que acompanha o ponta de lança (ontem, Gabriel Silva, por sinal com frutos) está a grande questão: admitindo que Geny é o dono da direita, Pote, que está de saída, fez de Trincão no meio e a aposta em Flávio Gonçalves pode até indiciar algo mais que uma questão de circunstância. Porque para onde jogou Pote há Zalazar... mas para onde Pote costumava fletir da esquerda para o meio ainda não há solução óbvia. Flávio disse «presente», coroando exibição constante com o arranque da jogada do golo de Geny, aos 24 minutos.
Luís Guilherme entrou a todo o gás na segunda parte, mas para a direita. Mostrou-se à vontade no papel e constitui clara concorrência a Catamo. Jesse Derry confirmou mais tarde, na esquerda, ter fantasia quanto baste, embora a sua utilização implique maior verticalidade no flanco e, consequentemente, menor preenchimento de espaços no meio.
Na frente deu-se a poesia de Gabriel Silva, natural de Albufeira, ser fundamental no 1-0 marcado na região natal por Catamo. Continuou bem até ser substituído por Rafael Nel, e este também entrou a preceito, vindo a revelar-se fundamental na reação leonina ao empate escocês, resultado de um adormecimento súbito de Eduardo Quaresma. Sair a jogar desde a área exige concentração máxima e essa, naquele momento, falhou ao novo capitão leonino, que ofereceu o 1-1 a Durán.
Três minutos depois desta infelicidade de um dos três sportinguistas que cumpriram o tempo todo — os outros foram Eduardo Felicíssimo, adaptado a central ao lado de Quaresma, e o guarda-redes João Virgínia —, Nel aproveitou brinde parecido do outro lado e serviu Daniel Bragança para o 2-1. Quatro minutos depois, Ricardo Mangas, a completar a prova de vida que já vinha fazendo desde o início, resolveu o jogo com o 3-1, cortesia de Luís Guilherme após nova insistência de Rafael Nel em cima dos defesas escoceses.
A fechar, após nova grande arrancada de Luís Guilherme, Daniel Bragança terminou o show dos maduros na concretização, finalizando com classe de pé direito e dando ao Sporting uma vitória robusta que vale pelas promessas de juventude a florescer e respetiva combinação com a maturidade necessária para a maratona de uma época.