Aliou Cissé (2.º à esquerda), apresentado como novo selecionador de Angola
Aliou Cissé (2.º à esquerda), apresentado como novo selecionador de Angola

Oficial: Aliou Cissé é o novo selecionador até 2030

Não se trata de um nome qualquer, mas sim de uma figura de peso. Aliou Cissé deixou a Líbia para assumir o comando de Angola, num contrato de quatro anos

O franco-senegalês, de 50 anos, vinha sendo alvo do interesse da Federação Angolana de Futebol há vários meses. Contudo, devido ao seu vínculo contratual com a Líbia, apenas agora foi possível formalizar o anúncio. O novo timoneiro dos Palancas Negras acaba de ser apresentado pela FAF.

Ontem, a Federação de Futebol da Líbia anunciou a rescisão do contrato de Aliou Cissé. Conforme revelado no mês passado pelo Presidente da FLF, o treinador tinha mais de oito meses de salários em atraso. Cissé encerrou assim uma ligação que teve início em março do ano passado, terminando um ano antes do previsto, apesar de ter uma cláusula de opção para a extensão do contrato por mais um ano. Aliou Cissé deixa, assim, um cargo que, alegadamente, lhe proporcionava um rendimento superior a 76 mil euros por mês, tornando-o no segundo selecionador mais bem pago de África, apenas superado por Vladimir Petkovic da Argélia.

Importa recordar que, segundo fontes, Cissé quase duplicou os 46 mil euros que recebia como selecionador senegalês. Este homem do futebol, com experiência tanto dentro como fora das quatro linhas, assume a seleção angolana quando esta ocupa o 89.º lugar no Ranking FIFA e está inativa desde a CAN 2025, que terminou em janeiro de 2026, como um autêntico fracasso, assumido pela própria FAF.  Cissé terá pouco mais de um mês para preparar os próximos compromissos dos Palancas Negras, agendados, ao que tudo indica, para junho, contra adversários que se encontram em fase de preparação para o Campeonato do Mundo.Será a sua oportunidade de apresentar a sua visão para a seleção angolana.

Como jogador, o antigo internacional senegalês representou o Lille, seu clube de formação, o PSG, Montpellier, Sedan e o Nîmes (onde encerrou a carreira), em França, bem como o Birmingham e o Portsmouth, em Inglaterra. 

A sua carreira de treinador começou como adjunto no Louhans Cuiseaux, em França. Em 2012, integrou a equipa técnica da seleção do Senegal, trabalhando com Amara Traoré, Alain Giresse e mais tarde, Joseph Koto, antes de ser promovido a selecionador principal em março de 2015. Durante dez anos, Aliou foi o timoneiro dos Leões da Teranga, dirigindo a equipa em 101 jogos, com um registo de 65 vitórias, 22 empates e apenas 14 derrotas. Cissé comandou o Senegal em seis fases finais de grandes competições (dois Mundiais e quatro Taças de África das Nações), tendo conquistado uma CAN, wm 2022, e um CHAN. Mas já antes, nos sub-23, conduziu o Senegal ao apuramento para Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Kali, antigo internacional angolano e atual vice-presidente da FAF para as seleções nacionais, conduziu todo este processo com a mestria de um driblador nato, apesar de ter sido um defensor ao longo da sua carreira, mantendo a máxima discrição durante todo o período. No entanto, A Bola já sabia desde 6 de março que Aliou Cissé seria o eleito e disso deu conta. 

A remuneração do selecionador angolano volta a ser protegida pela confidencialidade das cláusulas contratuais, uma postura que a atual direção da FAF se compromete a manter e a deixar como legado.