O Treinador do Ano que ainda sonha com os Estados Unidos e África
Enquanto este sábado se decidem, no Multiusos de Gondomar, os finalistas da 36.ª Taça Hugo dos Santos — com as meias-finais Sporting-Imortal (16h00) e Benfica-Oliveirense (19h00) —, as atenções do basquetebol nacional viram-se também para o Pavilhão Desportivo dos Lombos, em Carcavelos. Quinta dos Lombos e Benfica iniciam a decisão do título de 2025/26 da Liga Betclic feminina, com o Jogo 1 da final do play-off (18h45), disputada à melhor de cinco.
As bicampeãs da Luz, lideradas por Eugénio Rodrigues — técnico que conduziu a equipa à conquista do campeonato em quatro das últimas cinco temporadas —, visitam o conjunto sob as ordens de José Leite. Esta época, o técnico de Carcavelos já derrotou as águias na Supertaça (55-67) e na 3.ª jornada da Liga (63-55), mas saiu vencido na 14.ª ronda (50-49) e na final da Taça Federação (85-86 após prolongamento).
Tendo conseguido juntar a Supertaça à Taça Federação e terminado a fase regular com o melhor registo, José Leite foi eleito pelos seus Treinador do Ano da Liga feminina nos Liga Betclic Awards. O técnico procura agora conquistar o terceiro campeonato para o clube da Linha de Estoril, algo que não acontece desde 2013/14.
«Já recebi outros prémios de melhor treinador antes, mas nestes últimos anos em que o campeonato é a Liga Betclic, penso que será o primeiro. É, no entanto, a mesma alegria de sempre», assegura José Leite, de 65 anos. «Considero que, em cada época, o que ficou para trás, ficou. O próximo ano é sempre o melhor de todos. Gosto muito de continuar a treinar e de trabalhar com jovens, o que nos obriga a manter uma energia positiva. Acima de tudo, tento deixar valores e princípios que tenham impacto nas pessoas com quem trabalhamos», completa o antigo selecionador nacional.
Com um currículo recheado de Supertaças, Taças de Portugal e campeonatos, o que falta ainda conquistar ou realizar? José Leite revela dois desejos: «Gostava de ter passado por duas experiências que, eventualmente, já não farei. Uma seria treinar uma universidade americana. Sempre foi uma inspiração o trabalho que se faz lá. Desde muito jovem que vou aos Estados Unidos acompanhar o método das universidades. A segunda seria treinar uma seleção africana. É um perfil de atleta com quem gosto de trabalhar e seria um desafio interessante. Mas, para mim, treinar todos os dias, sejam jovens de 12 anos ou profissionais de 30, é igual. É sempre bom ensinar e aprender, até porque os atletas ensinam-nos a vencer», justifica.
Recentemente, no All-Star Game da NBA de Los Angeles-2026, Mery Andrade — atual treinadora adjunta de Darko Rajakovic nos Toronto Raptors — recordou a A BOLA a importância de José Leite no seu percurso, tanto na Seleção como enquanto foi sua jogadora de clube. Confrontado com esse agradecimento/reconhecimento, o técnico não escondeu o orgulho.
«É alguém que treinei desde muito jovem, com 14, 15 e 16 anos, e mais tarde nas seleções nacionais. Ela representava imenso aquilo em que acredito: o esforço traz oportunidades e leva ao sucesso. A Mery sempre foi uma trabalhadora incansável. Sem um talento inato descomunal, a sua força de vontade acabou por ser o seu maior talento. É uma campeã e fico muito orgulhoso», finalizou.
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