Mundial
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«O que é aura? Penso em Cristiano, por exemplo»
Com apenas 18 anos, Lamine Yamal é uma das grandes estrelas do Mundial. Apesar de ter chegado à competição a meio gás, devido a uma lesão, a sua presença é suficiente para virar cabeças. E suscitar entrevistas, tantas que até se cansa - na verdade já deu mais entrevistas do que marcou golos por Espanha, mas terá apreciado a mais recente que deu, ao El Mundo.
Com 18 anos, sublinhe-se de novo - faz 19 anos na segunda-feira, Yamal mostra-se como um jovem da sua idade, falando abertamente sobre a família, o seu bairro e o que o deixa tranquilo.
Numa parte mais leve da entrevista, Yamal ajudou o jornalista a decifrar a gíria dos jovens, explicando termos como «bro» (irmão), «cringe» (algo que causa vergonha alheia, como «ver o teu pai a dançar à frente dos teus amigos») e «crush» (um amor impossível, ou talvez não).
Sobre o conceito de «aura», descreveu-o como algo que uma pessoa carismática irradia: «A aura é algo que uma pessoa transmite. Não sei... quando chega a algum sítio, há qualquer coisa nela... percebes? É como quando vês alguém num filme e pensas: 'Uau.' Por exemplo, o Brad Pitt ou alguém desse género. No futebol, o Cristiano também. Esse seria um bom exemplo de aura.»
Quando desafiado a dizer quem, entre ele e o entrevistador, tinha mais aura, respondeu com um sorriso: «Hum, eu acho que sou eu».
Questionado sobre o seu estado físico, o jogador assegurou estar em perfeitas condições para a fase decisiva do torneio. «Estou muito bem. Cheguei aqui depois de dois meses parado e tive de ir ganhando ritmo aos poucos, mas sinto-me bem para esta fase decisiva do torneio», afirmou.
Apesar da sua juventude, Yamal mostra-se reservado quanto à sua verdadeira personalidade, admitindo que se cansa das entrevistas por serem «sempre as mesmas perguntas». O jogador confessou que não revela tudo sobre si para proteger a sua privacidade.
«Não quero que se saiba como sou. Como sou realmente é algo que guardo para mim. Ou seja, eu acho que têm uma imagem de mim que não é a real», declarou, acrescentando: «Não me importa [o que pensam de mim]. Se não, diria a verdade em todas as entrevistas».
Lamine Yamal reflete sobre as origens, a importância da família e a mentalidade que o levou ao topo do futebol, sublinhando que, apesar do novo estatuto, continua a ser «um rapaz de bairro, e com muito orgulho».
«Ser de bairro significa teres sido criado na realidade, a realidade que a maioria das pessoas vive, e que não é a realidade que eu vivo agora», explica, acrescentando que esta vivência «não tem nada a ver com delinquência nem com o que muitos que nunca pisaram um bairro pensam». Para Yamal, a essência está nas coisas simples: «Sair com os teus amigos para o parque, jogar no parque, depois voltar para casa, tentar ver o futebol em qualquer bar, sair para beber algo com a tua mãe, ir a um restaurante uma vez por mês. Isso significa ser de bairro, não é andar a arranjar confusão».
Se não fosse o futebol, o seu destino poderia ter sido muito diferente. «Se não estivesse no Mundial, estaria sentado no meu bairro com os meus amigos, a pensar no que seria de mim», confessa. «Passámos muitas horas sentados num banco, e sempre pensámos que íamos ser milionários em algum momento da vida».
A figura central na sua vida, e quem o mantém com os pés na terra, é a sua mãe. «É ela que me põe no sítio», admite. A sua autoridade é inquestionável e baseada no respeito. «Nunca perdi o respeito à minha mãe. Quando ela fala, toda a gente a ouve. Eu, o meu irmão, os meus amigos...»
Questionado sobre o que o faz perder a calma, o jogador admitiu ter uma longa lista de gatilhos. «Uf, tenho uma lista! Com os meus amigos, com a minha namorada, com o meu irmão, com a minha mãe às vezes, com os jogos, com a minha avó...», confessou.
Olhando para o futuro, o jovem talento espanhol tem um desejo claro para legado que quer deixar. Daqui a 20 anos, quando a sua carreira terminar, espera ser recordado como uma inspiração. «Gostaria que dissessem que dentro do futebol fui uma referência, que inspirei nalgum momento da sua carreira os futebolistas que virão depois, que gostaram de ver vídeos meus, de ver um jogo meu, que se inspiraram em mim para jogar».
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