Festejos dos jogadores do Sporting (Foto: Miguel Nunes)
Festejos dos jogadores do Sporting (Foto: Miguel Nunes)

Nem penálti nem simulação, caro João!

Naide Gomes e Agate de Sousa. Carlos Calado e Gerson Baldé. Rui Silva e Isaac Nader. Giovanni Trapattoni e (provavelmente) Francesco Farioli. Acredito que não se importem que os outros ganhem como eles, um dia, ganharam

Acredito que Naide Gomes, porque era (até ontem) a última portuguesa a sagrar-se campeã do Mundo do salto em comprimento em pista curta (Valência-2008), não se importou nada que a também portuguesa Agate de Sousa se tivesse sagrado campeã do Mundo da especialidade. E que prova, meu Deus, fez a atleta de 25 anos, oriunda de São Tomé e Príncipe, com aquele pulo de gata a 6,92 metros! Não foi gatinha. Foi gatona!

Acredito que Rui Silva, porque era, até ontem, o último português a sagrar-se campeão do Mundo dos 1500 metros em pista curta (Lisboa-2001), não se importaria nada que o também português Isaac Nader se tivesse ontem sagrado campeão do Mundo da especialidade. Não aconteceu, mas o algarvio lutou até ao último metro com a garra que sempre tem demonstrado. Merece bem aquela prata.

Acredito que Carlos Calado, porque era (até ontem) o último português a ser medalhado no salto em comprimento num Mundial de pista curta (Lisboa-2001), não se importou nada que o também português Gerson Baldé se tivesse ontem sagrado campeão do Mundo da especialidade. Se Agate foi uma gatona no penúltimo salto que fez em Toruń, Gerson foi gato, foi tigre, foi lebre, foi canguru, com aquele salto impressionante de 8,46 metros. Aquilo, meus caros, não foi um salto. Aquilo foi quase um triplo salto. Gerson merece aquele ouro, tal como Agate merece o ouro e Nader a prata.

Acredito que João Pinheiro, por ser (dizem) o mais forte candidato a estar como árbitro na fase final do Campeonato do Mundo de 2026, interpretou mal o lance entre André Gomes e Luis Suárez no Alverca–Sporting de ontem. Primeiro: aquilo não é penálti em parte alguma. Mas, claro, qualquer árbitro pode ser enganado numa jogada tão tradicional e habitual como aquele contacto entre guarda-redes e avançado. Segundo: aquilo não é simulação em parte alguma.

É o avançado a saltar por cima do guarda-redes, a colocar mal os pés no contacto com o relvado e a cair: sem falta de André Gomes, sem simulação de Luis Suárez. Até porque o colombiano logo se levantou e, quando viu João Pinheiro a apontar para a marca dos 11 metros, lhe disse de imediato, por gestos, que não era falta. Que fez João Pinheiro? Foi ao VAR e, muito bem, anulou o penálti e, muito mal, mostrou o cartão amarelo ao 97 de Alvalade. Que raio, mas não há quedas na área, no confronto guarda-redes/avançado, em que não há penálti nem simulação? Há. Muitas. Como o confronto André Gomes/Luis Suárez.

Por fim, o mais importante da jornada de ontem: a vitória do FC Porto em Braga e, a sete jornadas do fim, sete pontos de avanço sobre o Sporting (com menos um jogo), segundo classificado. Já não defronta nenhum dos cinco primeiros e não tem, em teoria, jogos de grande complexidade: Famalicão (casa), Estoril (fora), Tondela (casa), Estrela da Amadora (fora), Alverca (casa), Aves SAD (fora) e Santa Clara (casa). Isto é ser quase campeão. Se isto não é ser quase campeão, não sei o que será. Acredito ainda que Giovanni Trapattoni, por ser o último (e único) treinador italiano campeão em Portugal, não se importará que Francesco Farioli o seja em 2025/2026. O que, aliás, me parece que será o que,lá para maio, irá acontecer: FC Porto campeão nacional. Com André Villas-Boas a igualar, por fim, os feitos de Pinto das Costa: o presidente dos presidentes, como lhe chamam, terá um substituto dentro de dois meses: o Luís André.