Agate de Sousa campeã do Mundo de salto em comprimento em pista curta - Foto: IMAGO
Agate de Sousa campeã do Mundo de salto em comprimento em pista curta - Foto: IMAGO

Agate de Sousa campeã do Mundo: «Tenho de festejar mais, não é?»

A saltadora do Benfica dominou o concurso em Torun, na Polónia, e conquistou o ouro com a marca de 6,92 metros. Sucede a Naide Gomes, 18 anos depois, mas avisa: o recorde nacional continua na mira

Portugal volta a ter uma rainha no salto em comprimento mundial. Agate de Sousa sagrou-se, este domingo, campeã do mundo em pista curta, em Torun (Polónia), confirmando o favoritismo com que partiu para a prova. Num concurso marcado pela consistência e por uma maturidade competitiva impressionante, a atleta do Benfica, de 25 anos, assegurou o metal mais precioso ao quinto ensaio, voando até aos 6,92 metros.

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A vitória não foi isenta de suspense. Agate iniciou a prova com 6,75m, viu a liderança fugir momentaneamente para a colombiana Natalia Linares, mas recuperou-a com 6,82m. No entanto, foi o salto de 6,92m que matou a concorrência, resistindo à forte resposta final da italiana Larissa Iapichino (6,87m).

Apesar da magnitude do feito — a 18.ª medalha de Portugal em Mundiais ‘indoor’ e a 6.ª de ouro —, Agate de Sousa apresentou-se na zona mista com a serenidade que lhe é característica, quase pedindo desculpa pela sua contenção.

«Tenho um sentimento de enorme alegria, porque este é o meu primeiro título a nível mundial, na minha primeira grande competição ‘indoor’. Estou, realmente, muito feliz», começou por dizer. Questionada sobre os festejos contidos, interrompidos apenas pelos abraços da equipa de estafetas e da amiga Fatoumata Diallo, a saltadora sorriu: «Tenho de festejar mais, não é? Eu guardo muito as emoções, mas estou realmente feliz por ser campeã do mundo.»

A atleta admitiu que o foco esteve sempre no seu próprio desempenho: «Tentei manter-me o mais calma possível. Ainda estou numa fase em que me estou a conhecer melhor; antes pensava muito em responder às outras.»

O fantasma (e o desejo) de Naide Gomes

O ouro de Agate de Sousa em Torun é um regresso ao passado glorioso do atletismo português. A última vez que uma portuguesa subira ao lugar mais alto do pódio nesta disciplina fora em 2008, por intermédio de Naide Gomes. A comparação é inevitável, e Agate não a rejeita. Pelo contrário, usa-a como combustível.

Mesmo com o ouro ao peito, a nova campeã mundial não escondeu uma ponta de inconformismo por não ter batido o recorde nacional (7,00m em pista coberta). «Eu não diria que estou triste, mas ainda é o meu objetivo. Dá-me mais ganas para continuar, porque quero o recorde da Naide. É realmente o que eu desejo», vincou, elogiando aquela que sempre foi a sua referência.

Superação física

O título mundial ganha ainda maior relevo face aos problemas físicos que a atleta enfrentou recentemente. Agate fez questão de dedicar a vitória ao treinador Mário Aníbal e ao médico Gomes Pereira, que lhe deu a «luz verde» decisiva para competir.

«Este título representa o meu trabalho, o meu esforço, a minha resiliência e o trabalho mental. Foi pelos portugueses que eu fiz isto», concluiu a mulher que, depois do bronze nos Europeus de Roma 2024, atinge agora o topo do mundo, prometendo que o voo não ficará por aqui: «Quero muito saltar mais do que 6,92 metros.»

Portugal fecha assim os Mundiais de Torun com uma página dourada, escrita por uma atleta que, entre a timidez e a ambição, já é uma das figuras incontornáveis do desporto nacional.