André Villas-Boas, António Salvador, Frederico Varandas e Rui Costa na tomada de posse de Pedro Proença como presidente da FPF (foto: André Carvalho)
André Villas-Boas, António Salvador, Frederico Varandas e Rui Costa na tomada de posse de Pedro Proença como presidente da FPF (foto: André Carvalho)

Na frente parece que está tudo decidido

Na frente tudo na mesma, o que se aplica também à liderança do futebol português, limitada a reuniões a quatro, como aquelas que Frederico Varandas recuperou para responder a Villas-Boas

Que valha a transpiração quando falta alguma inspiração. O lema não é novo, mas serviu para o Sporting garantir o triunfo no reduto do Estrela da Amadora, com um golo de Daniel Bragança, o quinto da época para o esquerdino, melhor reforço de inverno que Rui Borges poderia desejar.

O Benfica voltou aos triunfos, mas até poupou o Nacional a números mais expressivos. José Mourinho não renunciou à utilização de nenhum dos jogadores que sinalizou em Rio Maior — nem que fosse a partir do banco —, mas ninguém pode dizer que o treinador tenha mentido, dado o aviso antecipado de que «há valores mais altos que se levantam». Prestianni e Schjelderup mostraram que a próxima época pode ter pontas por onde pegar, e Mourinho, que já disse que quer continuar, até anunciou que o estreante Gonçalo Moreira terá lugar na pré-época.

O FC Porto tirou a última senha, desta vez, mas no que diz respeito à tabela classificativa segue firme no primeiro lugar, depois da vitória clara no Estoril e antes do duelo da próxima ronda entre os rivais.

Na frente está tudo na mesma, portanto, como confirmam as palavras de Frederico Varandas, que na resposta a Villas-Boas revelou dois encontros limitados a quatro clubes: um com Pedro Proença, na Federação Portuguesa de Futebol, e outro com Reinaldo Teixeira, num hotel de Gaia, quando FC Porto, Sporting, Benfica e SC Braga andaram a entrevistar os candidatos à presidência da Liga.

O presidente leonino não deu nenhuma novidade, a bem dizer. Os encontros a quatro — ou a oito, se tiverem acompanhantes — são prática bastante comum. Um vício já aqui criticado, que trava a afirmação do futebol português pela forma como limita o desenvolvimento dos clubes de menor dimensão. Uma realidade que fica bem evidente quando outros emblemas vão às provas europeias, por exemplo, mas sobretudo nas bancadas fechadas ou indignas para utilização que por aí abundam.

Seja para discutir a centralização ou outro assunto qualquer de mínima relevância, o futebol português continua a ser decidido numa mesa para quatro. Nada de substancial mudará enquanto outros, todos os outros, continuarem a abdicar do poder que podem ter, em troca de empréstimos.

Qualquer dia até o título é decidido assim: um ano para cada um e ninguém leva a mal.