José Mourinho dá indicações à equipa na primeira parte — Foto: Miguel Nunes
José Mourinho dá indicações à equipa na primeira parte — Foto: Miguel Nunes

Mourinho: «Não quero dizer que o 3-0 é falso mas...»

Treinador do Benfica diz que o Benfica até poderia ter vencido por mais, mas reconhece dificuldades na primeira parte. Testemunho emocionado sobre Silvino

José Mourinho analisou e vitória do Benfica, mas fez questão, em primeiro lugar de felicitar o treinador Luís Pinto, despedido do V. Guimarães, apesar de ter conduzido a equipa à conquista da Taça da Liga

— Que análise faz ao jogo?
— Em primeiro lugar, antes da análise, estava à espera do Luís Pinto, para lhe dar os parabéns por um feito extraordinário [treinador conquistou a Taça da Liga e foi, entretanto, substituído por Gil Lameiras], porque o Vitória não ganha títulos todos os anos e o Luís conseguiu isso com grande brilhantismo. Gostaria de enviar-lhe aquele abraço de treinador experiente para treinador jovem. E uma vez mais parabéns pelo feito fantástico. Sobre o jogo, se agarrarmos no 3-0 e nas grandes oportunidades que tivemos na parte final, até poderia ter 5 ou 6. Mas o jogo não foi isso. Teve um período difícil para nís, o Vitória teve 20 minutos, na primeira parte, sem nos ameaçar muito, criou-nos imensos problemas. Foi difícil pressionarmos, roubar bolas, ter iniciativa e mérito para eles, que transformaram o jogo. No início, parecia fácil. Pensei: 'Depois do primeiro, vai chegar o segundo e o terceiro.' Não chegou o segundo, nem o terceiro e chegou domínio do Vitória. Na segunda parte, quando fazemos o 2-0, o jogo acaba, mas a dificuldade do jogo. Não quero dizer que o 3-0 é falso, porque poderiam ter sido cinco ou seis, mas não reflete o bom jogo do Vitória.

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— O que o levou a apostar em Barrenechea como central?
— O Otamendi foi campeão ao estar no banco e estar disponível para ajudar em caso de emergência extraordinário. A dúvida seria sempre entre Gonçalo Oliveira e o Enzo [Barrenechea]. O Gonçalo jogou 90 minutos num campo sintético [Youth League, com o Inter], em Milão, um jogo a sério, ainda fez a viagem. O Enzo esteve a semana toda a trabalhar connosco e, posicionalmente, é confortável para ele. Quem joga a seis, a posição de defesa-central — com bola, os posicionamentos, a leitura — é fácil. Seria difícil se jogássemos num bloco baixo e eles tivessem muitas situações dentro da área. Aí já seria um habitat menos natural. A única oportunidade do Vitória é um cruzamento da direita e o Nélson Oliveira liberta-se dos centrais e toca mal na bola. Até poderia fazer golo. Fez um ótimo jogo.

— Os últimos dias, com a morte de Silvino, foram muitos difíceis. No minuto de silêncio, não conteve as lágrimas. O que sentiu?
— A minha mulher dizia-me ontem que é difícil acreditar que ele foi embora. E continua a ser difícil. Mas foi e ficam as memórias. Como dizia numa publicação, é tempo ainda de chorar por ele, mas vai haver, espero, muitos anos para eu e grandes amigos podermos rir muito. Foram 18 anos a trabalhar com ele. Mais aqueles, antes e depois... Estar com ele e trabalhar com ele é rir muito. E temos muito para rir, falar dele e recordar. Ele é daquelas pessoas por quem é fácil nos apaixonarmos. Ele, na minha casa, com a minha mulher, a minha filha e o meu filho... Agora, é olhar para a família que ficou, para os filhos que são parte da nossa vida e cresceram connosco e dar-lhes força. Mas naquele momento, não podendo estar no funeral, e vê-lo no ecrã... foi pesado. Vou recordar-me do que dizia antes dos jogos: 'Mano, hoje vai correr bem'. O meu pai era sempre: 'Tenho muita fé' Quero rir-me muito à conta dele. E o pessoal de Setúbal... temos de rir muito à conta dele.