Rui Pinto, pirata informático (foto: Imago)
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Man. City: Rui Pinto disponível para colaborar com autoridades britânicas a troco de proteção

Vai perder proteção em Portugal e tem conhecimento profundo do caso

Rui Pinto está disposto a prestar auxílio às autoridades do Reino Unido no âmbito dos processos judiciais que envolvem o Manchester City, desde que lhe sejam garantidas medidas de proteção contra ameaças à sua segurança, avança o jornal The Guardian. O português esteve na origem das revelações que desencadearam a investigação da Premier League à gestão financeira do clube inglês.

A notícia surge numa altura em que, em Portugal, se vai encerrar o Programa Especial de Segurança de que o denunciante do Football Leaks beneficia desde 2020. A proteção deverá terminar a 10 de outubro, depois de uma reavaliação da PSP ter concluído existir atualmente um nível baixo de risco. A defesa contesta a decisão e garante que ainda não recebeu resposta ao pedido para que esta fosse reconsiderada.

O Manchester City foi considerado culpado de 115 infrações por uma comissão independente, que identificou contratos simulados destinados a empolar artificialmente as receitas em 900 milhões de libras (cerca de 1050 milhões de euros), na sequência da divulgação de milhares de documentos confidenciais por parte do criador do Football Leaks. O clube já confirmou que irá recorrer da decisão.

De acordo com o jornal, Rui Pinto mantém a disponibilidade para atuar como testemunha protegida noutro país. Além do processo desportivo, as autoridades britânicas poderão decidir alargar o âmbito do inquérito, à semelhança do que já sucedeu em Portugal.

Caso se confirme a cessação do seu estatuto de proteção de testemunhas em território nacional, Rui Pinto ficará livre a partir de 10 de outubro para colaborar formalmente com entidades estrangeiras. O português já cooperou pontualmente com as autoridades de França, Alemanha e Bélgica, podendo o Reino Unido juntar-se a esta lista.

Recorde-se que, dias antes de ter sido detido em Budapeste, em janeiro de 2019, o português negociava a entrada num programa de proteção de testemunhas em França, iniciativa que acabou travada pelo Estado português. Durante esse período na capital húngara, antes da extradição para Portugal, as autoridades francesas copiaram o conteúdo de todos os dispositivos eletrónicos na sua posse. Esta base documental — referente ao Football Leaks e ao Luanda Leaks — pode ser partilhada entre países através de acordos de cooperação bilateral.

Rui Pinto foi absolvido em abril deste ano de 241 crimes num segundo julgamento realizado em Portugal. A equipa de defesa contestou o fim da proteção policial, acusando o Estado português de «terrorismo de Estado», tendo interposto recurso e questionado os critérios da avaliação de risco sem obter resposta.

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