Luís Castro: «Mourinho é a minha referência»
Luís Castro, treinador do Levante, confessa que José Mourinho é a sua grande referência no futebol, numa altura em que a equipa valenciana luta pela permanência na LaLiga. O técnico português, que chegou ao clube com a missão de garantir a salvação, não esconde que o projeto de futuro apresentado foi mais forte do que propostas financeiramente superiores que tinha em mãos.
A subir de forma nas últimas semanas, o Levante somou oito pontos nos últimos 12 possíveis, um registo que reacendeu a esperança dos adeptos e colocou o luso entre os nomeados para treinador do mês do campeonato espanhol, juntamente com Hansi Flick e Diego Simeone. «Gosto de ter a bola, atacar e controlar o jogo. É normal que todos os treinadores procurem a sua identidade», afirmou, em entrevista ao jornal Marca, explicando que o objetivo é «gerar muito perigo para o adversário».
A boa forma recente foi alcançada mesmo sem dois habituais titulares, Carlos Álvarez e Pablo Martínez. «É normal que as pessoas pensem que não é possível conseguir isto sem eles, mas todo o grupo está a trabalhar a um grande nível», sublinhou o treinador, acrescentando que «o coletivo é muito melhor» quando todos estão concentrados. «Carlos e Pablo são muito bons, mas, neste momento, sem eles, a equipa está a funcionar muito bem. Agora que os dois regressarão, é muito melhor».
A meritocracia é a bandeira de Luís Castro, que defende que o trabalho deve ser sempre recompensado. «Não só no futebol, tens de premiar o trabalho de cada um. O estatuto, a importância e o nome são uma coisa, mas a partir do momento em que todos estão no grupo, há que trabalhar e demonstrar», defendeu. Para o técnico, «não há nenhum jogador que seja titular indiscutível. Se não estás ao nível, por muito dinheiro que ganhes, jogará outro».
Apesar da aproximação ao objetivo da permanência, Castro recusa a ideia de que a equipa enfrenta «uma nova liga» a nível mental. «Penso que tens de fazer o mesmo. Com a mesma dinâmica com que ganhámos agora, irás salvar-te», garantiu, alertando que a tarefa continuará a ser difícil, pois «todas as equipas lutam pelos pontos» e os jogos serão «muito renhidos».
A admiração por Mourinho
Questionado sobre as suas referências, o técnico português não hesitou: «Para mim, como para muitos treinadores daquela época, foi José Mourinho. Ele é uma referência pelo seu perfil, pelas suas ideias e pelos seus passos». Recordou ainda o sucesso do FC Porto, que «ganhou a Taça UEFA e a Champions», e mencionou outros treinadores que admira, como Pep Guardiola, Jurgen Klopp e Paulo Fonseca.
Luís Castro revelou também que a sua carreira de treinador começou como um hobby, quando era professor e treinava crianças de cinco e seis anos em Moreira de Cónegos, de onde é natural. A oportunidade de se tornar profissional surgiu mais tarde, com um convite para ir para a Arábia Saudita.
Sobre a sua chegada ao Levante, admitiu que a sua primeira reação foi recusar, pois já tinha «outra oferta muito boa». No entanto, uma segunda conversa com Pepe Danvila, que lhe apresentou o projeto de futuro do clube, focado no trabalho e na formação, fê-lo mudar de ideias. «Eu não sou um treinador que olha apenas para si. Gosto de fazer algo pelos clubes, pelos adeptos e pelo futuro», concluiu.
O ex-timoneiro do Nantes assegurou que o seu compromisso com o Levante é para um projeto de «quatro ou cinco anos» e que permaneceria no clube mesmo que a equipa desça à Segunda Divisão. O técnico português sublinhou que a sua motivação não é financeira, revelando que a proposta do Levante não era, «nem de perto, a melhor opção» que tinha.
«Sim [continuaria se o clube descesse]. Eu não preciso de treinar uma equipa da Champions para ser feliz. Tenho a possibilidade de fazer todos os dias uma coisa que amo e pagam-me por isso», afirmou Castro, acrescentando: «É verdade que quero treinar na Primeira Divisão; oxalá o Levante se mantenha, mas penso que se estiver na Segunda e estiver bem comigo mesmo, ficarei».
O treinador confessou ainda a sua admiração pelo futebol espanhol, que sempre acompanhou a par do português. «Não vim apenas pelo Levante, mas também porque gosto de Espanha», explicou.
Por fim, Luís Castro deixou uma mensagem clara aos adeptos, prometendo empenho máximo da sua equipa. «Podem ganhar ou perder, mas uma coisa que verão sempre é uma equipa que dá a vida pelo clube. Vou dar o máximo pelo clube, mesmo que percamos ou cometamos erros técnicos. O que peço aos adeptos é que deem tudo por nós», concluiu.