Jorge Jesus, treinador do Al Nassr e ex-técnico do Al Hilal
Jorge Jesus, treinador do Al Nassr e ex-técnico do Al Hilal - Foto: IMAGO

Jorge Jesus parte a loiça: «Al Nassr não tem o poder político do Al Hilal»

Treinador português assumiu a responsabilidade pelo mau momento do clube, mas também garantiu que esta má fase não se trata apenas do que acontece dentro de campo

De um momento para o outro, a temporada do Al Nassr foi de sonho para pesadelo. Depois de 10 vitórias em 10 jogos na liga saudita, a equipa de Jorge Jesus empatou com o Al Ettifaq (2-2) e perdeu os três jogos seguintes, o mais recente com o Al Hilal (1-3), seu ex-clube, que recuperou a liderança do campeonato e tem agora mais 7 pontos de vantagem.

Frustrado com a situação, o treinador português assumiu a responsabilidade, mas também garantiu que esta má fase não se trata apenas do que acontece dentro de campo. «É verdade que o Al Nassr não tem o poder político do Al Hilal, mas não estou à procura de desculpas para resultados negativos e não estou habituado a fazê-lo. No entanto, sou o principal responsável por estes resultados e preciso de procurar soluções, não desculpas. O que eu disse é verdade, mas assumimos a responsabilidade pelos nossos erros, tais como erros individuais e disciplinares. E há outras coisas, como a ausência de Mani e as lesões de Simakan e Ayman Yahya, que nos colocaram nesta situação complicada», disse, em conferência de imprensa, apontando à vitória com o Al Shabab.

«É um jogo de dérbi. Esses jogos costumam ser equilibrados e não têm nada a ver com a classificação. Tivemos três jogos negativos, e ninguém pode esconder esse facto, especialmente o jogo contra o Al Hilal. Precisamos de superar esta tempestade. Como treinador, não estou habituado a perder três jogos consecutivos, mas a verdade é que precisamos de encontrar soluções. Temos problemas mentais e algumas questões psicológicas que nos levaram a esta crise. Ainda faltam muitas jornadas para o fim do campeonato. O Al Hilal está atualmente na liderança e as equipas atrás estão próximas em pontos. Vamos lutar pelo primeiro lugar, mas estou preocupado com o estado mental da equipa e em recuperar o apoio dos nossos adeptos», afirmou, voltando à questão extra-futebol.

«Em todos os países, há dois jogos, um em campo e outro nas redes sociais, e isso cria um desequilíbrio para as equipas. Há muitas notícias a circular fora do clube que nos colocaram numa fase negativa, mas temos de procurar soluções. Tivemos uma série positiva nos últimos dez jogos, mas agora temos de corrigir os nossos erros e manter a confiança dos adeptos. É verdade que estamos sete pontos atrás dos líderes, mas acreditamos nas nossas chances», garantiu, acreditando na conquista do título que escapa desde 2019, com Rui Vitória.

«As notícias sobre Coutinho e Semedo são falsas»

Na conferência, Jesus também comentou as notícias que apontam às saídas dos compatriotas da estrutura do clube, garantindo de que não são verdadeiras, mas sim fabricadas. «As notícias sobre Simão Coutinho e José Semedo são falsas e têm como objetivo criar desequilíbrio na equipa. Eles falam primeiro sobre Simão e depois sobre Semedo, depois falarão de mim. O objetivo é criar o desequilíbrio em que entramos. O que está a ser repetido é um jogo das redes sociais. Isto acontece em Portugal, na Arábia Saudita, no Brasil e em todo o mundo. O Al Nassr não tem capacidade para jogar o jogo dos meios de comunicação, mas há clubes que trabalham dentro e fora do campo», atirou.

Por fim, também analisou a possibilidade do clube ir ao mercado em janeiro, mas que não tem dinheiro para tal, nem está numa posição para vender Bento ao Génova. «Quero contratar jogadores, mas as coisas não são fáceis. Há muitos erros pelos quais estamos a pagar. Quero reforçar a equipa, mas é preciso ter recursos para contratar jogadores. O futebol muda rapidamente. Veja-se o caso do guarda-redes brasileiro Bento. Há três semanas, estávamos na liderança do campeonato e tínhamos uma ideia. Agora, Nawaf está suspenso, Raghad está lesionado, temos apenas um guarda-redes, o Bento, e o guarda-redes da equipa sub-23, por isso, neste momento, é difícil o Bento sair, porque não há outras opções», completou.