Ex-Liverpool confessa drama: «Tomava comprimidos só para matar o tempo»
Jonjo Shelvey, antigo internacional inglês que somou passagens por Liverpool e Newcastle, abriu o coração no podcast Under The Cosh, falando do período mais difícil da sua vida, quando se transferiu do Nottingham Forest para os turcos do Caykur Rizespor.
O jogador de 33 anos, que iniciou carreira no Arsenal e que jogou nas camadas jovens do West Ham United e, mais tarde, no Charlton, rumou a endereço de prestígio em 2010, ao ser cobiçado pelo Liverpool no final da era do treinador Rafael Benítez.
Nunca conseguiu atingir o seu potencial máximo, apesar de ter disputado 69 jogos, foi emprestado ao Blackpool, em 2013 transferiu-se para o Swansea por quase 6 milhões de euros, em 2016 mudou-se para o Newcastle, onde jogou mais de 200 partidas, e, após breve passagem pelo Nottingham Forest, surgiu o pesadelo.
«Quando fui para a Turquia, vivi sozinho durante 18 meses. Foi o período mais difícil da minha vida. Tornei-me dependente de comprimidos para dormir. Chegava a casa depois do treino e o tempo arrastava-se», revelou Shelvey.
«A cidade era predominantemente muçulmana, com apenas três restaurantes. Basicamente, podíamos fazer três coisas: Starbucks, McDonald's, Domino's. Chegava a casa, olhava para as quatro paredes e, para matar o tempo, tomava três ou quatro comprimidos para dormir e adormecia. Na manhã seguinte, ia direto para o treino – só para matar o tempo», afirmou o futebolista.
A situação melhorou ligeiramente quando se transferiu para o Eyupspor, um clube menor de Istambul, mas não conseguiu escapar à dependência. «Depois, transformou-se numa dependência. Mudei-me para Istambul e lá era mais animado. Podia sair, mas continuava sozinho. Não sou do tipo que sai sozinho.»
«Disse a mim mesmo: 'Se isto continuar assim, ou me viro para o álcool, ou para os comprimidos'. O álcool não é bom para um futebolista, então, em vez de beber, mantive-me nos comprimidos. 'Pelo menos não vou engordar', pensei», contou.
«Ia treinar por volta das 13h00. Às 15h00 comia e essa era a minha última refeição. Depois, tomava três ou quatro comprimidos. Por volta da meia-noite, acordava, tomava mais três ou quatro e depois ia para o treino da manhã», disse.
Com o tempo, a sua dependência começou a causar problemas na família. A sua relação com os filhos deteriorou-se e, com a passagem pela Turquia, que não correu bem nem a nível futebolístico nem pessoal, foi perdendo o contacto. Acabaria por ser a mulher a salvar a relação familiar.
«Sinceramente, estragou a minha relação com os meus filhos. Estava mentalmente ausente. Tive sorte, a minha mulher é uma esposa muito boa. Basicamente, tirou-me disso. Foi muito difícil. Sentia-me tão sozinho. Por isso, tomava os comprimidos, só para matar o tempo», acrescentou.
Shelvey deixou a Turquia em janeiro do ano passado e, após uma breve passagem pelo Burnley, joga atualmente nos Emirados Árabes Unidos, no Arabian Falcons.