João Félix 'resolveu' o Portugal-País de Gales
João Félix 'resolveu' o Portugal-País de Gales
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Jesus não andou sobre a água muito menos ressuscitou Lázaro (crónica)

Depois de ter escolhido 25 jogadores a quem deu treino e meio, Jorge Jesus precisava de um milagre para transformar a Seleção Nacional, do ponto de vista exibicional, na última Coca-Cola do deserto. Tudo aponta para que esta Liga das Nações seja um espaço de fim de um ciclo e abertura de outro…

Não, na estreia de Jesus, a Seleção Nacional não transformou a água em vinho, não andou sobre a água, muito menos ressuscitou Lázaro. Francamente, só mesmo por milagre é que as coisas podiam ser muito diferentes do passado recente: se o novo selecionador optou, ‘grosso modo’, nesta primeira abordagem, por manter o elenco da gerência anterior, introduzindo algumas nuances táticas, é certo, mas que carecem de muita afinação, o resultado positivo, com uma exibição pouco empolgante, era o que devia ser esperado.

O jogo de Portugal foi cinzento, animado por alguns lampejos de Nuno Mendes e João Félix (belo golo), mas esteve desligado a meio-campo e pouco seguro na defesa, ou não estivessem os galeses à beira do empate no minuto 74, com a bola a beijar o travessão da baliza de Diogo Costa e, imediatamente a seguir, Rúben Dias a fazer um corte ‘impossível’, evitando sobre a linha o golo dos forasteiros.

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Percebeu-se que Jorge Jesus, ao contrário de Roberto Martínez, é apologista de um jogador mais posicional no meio-campo, função que dividiu entre Rúben Neves (67 minutos) e Palhinha (o restante). Também se viu que o ex-treinador do Al Nassr quer João Félix nas costas do ponta de lança, a ligar jogo entre setores. Félix cumpriu com mérito a tarefa que lhe foi pedida, embora não houvesse, a meio-campo, intensidade no jogo, e à sua frente a presença na área fosse demasiadas vezes inexistente.

Mas se a decisão sobre Félix parece ter pernas para andar, já a ala direita, onde Cancelo teve o corredor tapado por Pedro Neto, e este - jogo interior não é com ele, as suas  virtudes são outras - nunca encontrou no defesa ‘culé’, o apoio necessário, deve ser profundamente revista. Melhor na esquerda, onde Bruno Fernandes abria espaço para as incursões de Nuno Mendes, embora o capitão do Manchester United, por querer ser rigoroso do ponto de vista tático, tenha perdido muito protagonismo face ao que pode e sabe, com prejuízo de Portugal.

Apesar de Cristiano Ronaldo ser o de 2026, demasiadas vezes em fora de jogo, muitas vezes um centésimo de segundo atrasado para ter o melhor enquadramento, ainda capaz de meter a bola na baliza, mas sem condições para que a equipa jogue em pressão alta; e apesar de Renato Veiga ter estado sobre brasas, mais instável do que durante o Mundial; foi a incapacidade de ter bola (não se confunda com trocar a bola, fala-se, isso sim, em transformar a posse em sufoco ao adversário e oportunidades de golo) que mais penalizou o jogo de Portugal. A equipa esteve pouco ligada entre setores e acabou por vencer sem encantar.

Jorge Jesus escolheu os jogadores e deu-lhes um treino e meio. Provavelmente, esta Liga das Nações deverá ser vista - manda a prudência que assim seja, apesar de sermos campeões em título - como uma ponte entre o Mundial de 2026 e o de 2030, com o Europeu de 2028 a justificar que o dedo de Jorge Jesus se note então de forma positiva e com outra exigência. No futuro imediato (e não me refiro aos três jogos que se seguem, penso um pouco mais à frente), enquanto Portugal não aderir ao clube das seleções que não deixam jogar o adversário, e têm argumentos na profundidade atacante, nada será substancialmente diferente, mesmo que o desenho tenha passado a ser de 4x1x3x2.

Mas não desdenhemos do passado. Até parece que nos esquecemos de que até 2016 não tínhamos ganho nada, e a partir daí erguemos um Europeu e duas Ligas das Nações, com Fernando Santos e Roberto Martínez.         

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