Ian Cathro: «Não me esqueço do episódio das ‘big balls’, mas pela outra parte»
Após uma derrota (1-3) do Estoril com o Sporting em Alvalade, a 3 de março de 2025, que interrompeu uma série invicta de oito jogos da equipa da Linha, Ian Cathro quis transmitir a coragem que procurava implementar. E com entusiasmos atirou: «É preciso ter c******», seguido de um pedido de desculpas. Foi um dos momentos que retrata a ligação especial a Portugal.
— Sabia que em Portugal ficou viral o vídeo recente do Ian a atender uma videochamada da sua filha e a falar com ela em português?
— Sim, pode imaginar que algumas pessoas me mandaram isso.
Ian Cathro atendeu uma videochamada da filha em plena conferência de imprensa 😂💚 pic.twitter.com/dH4gunbk4v
— B24 (@B24PT) August 20, 2026
— Em sua casa fala-se mais português ou inglês?
— É quase sempre português com a minha filha. Portugal é muito importante na nossa vida. Neste momento estou em França e a minha família voltou para Edimburgo, até que consigamos preparar outra viagem para Portugal, porque depois de passarmos o último ano juntos em Cascais… eu já estou convencido de que quero passar o maior tempo possível da minha vida em Portugal. Então espero arranjar uma residência para que este escocês seja mesmo português o mais rápido possível (risos).
— Acima de tudo, enquanto treinador, também se sente mais português acima de qualquer outra nacionalidade?
— Sim. É muito difícil de explicar, mas às vezes até tenho dificuldade em falar inglês. Estou a treinar francês, mas obviamente que preciso de falar inglês aqui e traduzir algumas coisas. Mas eu penso em português, depois traduzo para inglês e tento também aprender francês. Eu não me sinto escocês, a nível de cultura, etc. Eu sei que não sou, mas sou português.
— Do que tem mais saudades de Portugal, da francesinha, ou de outra coisa?
— Já estou mais velho e a francesinha fica cada vez mais difícil. Do ritmo de vida, é completamente diferente. A minha filha começou a gostar muito de acabar a escola e ir para praia brincar com as amigas. Quando eu tinha quatro, cinco ou seis anos, isso era algo impensável no sítio onde eu cresci. Tivemos sorte também por estar no Estoril. É uma zona tão bonita e tens acesso a tanta coisa, é uma felicidade enorme.
— Sonha em voltar a treinar em Portugal?
— De viver, de certeza absoluta, disso não tenho dúvidas. A parte do futebol, eu sei que não sou eu que controlo essas coisas. Acho que escolhi bem em ir para o Estoril porque trabalhei com boas pessoas que me ajudaram imenso. Tinham muita confiança na minha competência, na minha pessoa e por isso acabámos todos felizes, que era o objetivo. E agora estou também a trabalhar com grandes pessoas, a aprender, com pessoas com muita experiência ao mais alto nível.
— Tal como sente essa ligação especial a Portugal, também ficou a sentir o mesmo em relação ao Estoril? E tem acompanhado a equipa?
— Acho que isso também é natural. Passas muito tempo, e um tempo intenso com muitas pessoas. E sim, estou atento. Eu estava a sentir um bocadinho, no fim da última época, que era quase o fim de um ciclo. Para mim e para alguns jogadores, ou até mais, acho que essas coisas são um pouco tristes, mas acontece. Os novos jogadores chegaram muito tarde, estão a começar um novo ciclo. A parte boa é que vão ter a tranquilidade e serenidade de trabalhar e acho que as pessoas que estão ali têm toda a competência para fazerem bem melhor do que eu.
— Depois de um jogo do Estoril com o Sporting em Alvalade, disse que é preciso ter big balls para jogar no Estoril, lembra-se?
— Não sei se vou esquecer, não pelo big balls, mas pela outra parte. Já aprendi também.
— E agora, é preciso ter big balls para jogar no Saint Étienne e assumir este desafio?
— Já disse aqui uma vez que quem quer uma vida fácil não vem para o Saint Étienne. Aqui ninguém vai ter uma vida fácil, mas esta é a vida e a responsabilidade de estar num grande. E é mesmo isso que é este clube. E tenho o prazer em ter a responsabilidade de ajudar as pessoas para que tenhamos sucesso.