Hornicek conduz o Yate(s) no cristalino mar europeu (crónica)
Não fosse o barulho vindo das bancadas — forte apoio à equipa inglesa e, mais tarde, reação à altura dos sócios e simpatizantes do conjunto luso —, um livre direto superiormente marcado por Morgan Gibbs-White que Lukas Hornicek travou com uma intervenção de excelência, e um cabeceamento de Gabri Martínez, após cruzamento de Víctor Gómez, a rasar o poste direito da baliza à guarda de Matz Sels (37'), e a primeira parte tinha dado para... adormecer.
Duas equipas com esquemas táticos diferentes — o SC Braga no habitual 3x4x3, o Nottingham Forest no tradicional 4x2x3x1 (alternado para 4x4x2 sem bola) —, é um facto, mas que nos 45 minutos iniciais se encaixaram quase por completo. Tirando os dois lances já mencionados, apenas mais um ou outro fogacho nos respetivos últimos terços, sempre sem perigo.
Em noite tão invernosa, houve muitos bocejos até ao intervalo.
Os balneários estavam, por certo, (muito) mais quentes, pode até ter havido quem bebesse café (ou chá) durante o descanso, e a grande verdade é que a etapa complementar foi bem mais interessante.
GIGANTE HORNICEK E... AUTOGOLO
O tónico foi dado pelos arsenalistas, logo aos 48 minutos, com Diego Rodrigues e Gabri Martínez a combinarem pela esquerda e o espanhol a oferecer o golo a Ricardo Horta. O capitão quis aceitar a oferta, mas o desvio de primeira, à entrada da pequena área, saiu por cima da baliza contrária.
Bola cá, bola lá, e, logo a seguir... penálti para o Forest: Gabri Martínez derrubou James McAtee quando o ex-Manchester City tentava chegar a um cruzamento de Morgan Gibbs-White e o árbitro da partida apontou de imediato para a marca dos 11 metros, decisão que foi validada pelo VAR.
No entanto, e por muito que Morgan Gibbs-White tentasse colocar a bola (e colocou mesmo!), a verdade é que o (indiscutível) dono das redes do SC Braga é gigante: Lukas Hornicek adivinhou o lado, voou para o seu lado esquerdo e deu uma palmada na bola negando a vantagem do conjunto britânico.
Foi a segunda grande penalidade defendida pelo chéquio em apenas quatro dias: no passado domingo, o número 1 já tinha sido absolutamente decisivo no triunfo (1-0) alcançado pelo SC Braga no terreno do Tondela, travando, ao minuto 86, um castigo máximo batido por Hugo Félix — já nos descontos, recorde-se, Rodrigo Zalazar (ausente por se encontrar a cumprir o segundo de dois jogos de suspensão na UEFA Europa League), selou os três pontos... de penálti.
E quando uns não querem... estão outros desertos. No ataque seguinte ao desperdício dos tricky trees, os guerreiros foram letais e agradeceram a cortesia: excelente jogada a envolver Víctor Gómez, Ricardo Horta e Fran Navarro, calcanhar do ponta de lança, cruzamento do capitão e... autogolo de Ryan Yates.
Os ingleses tentaram, depois, remendar o (tanto) mal que tinham feito, mas Gibbs-White (58' e 78'), Ola Aina (que tiro à barra, aos 62') e Dan Ndoye voltaram a não conseguir desfeitear o iceman que continua a elevar os minhotos para outro patamar: o da excelência.
Pau Victor quis sossegar, definitivamente, a Pedreira, mas o tiro foi devolvido pelo poste esquerdo.
Mas quem tem um marinheiro com mãos para um... Yate(s) só pode aspirar a navegar pelos mais cristalinos mares europeus. Hornicek tem o fato à medida e o SC Braga já garantiu a presença no play-off. Mas a viagem marítima dos guerreiros tem vista direta para os oitavos de final. Será a justiça a funcionar.