Morten Hjulmand, o melhor dos leões (Foto IMAGO)

Hjulmand mostrou o caminho mas não teve quem o seguisse (as notas do Sporting)

Os jogadores do Sporting mostraram, pela primeira vez nesta temporada, um desconforto tremendo perante a pressão asfixiante do adversário, e revelaram-se ineficazes a contrariar o jogo interior, e vulneráveis aos ataques rápidos e apoiados dos noruegueses. Derrota justa, numa eliminatória que só acaba quando acabar...
A figura: Hjulmand (6)
O jogo até nem começou bem para o capitão do Sporting, que logo aos 42 segundos foi o primeiro a sentir, em forma de perda de bola, a eficácia da agressividade dos jogadores do Bodo/Glimt, algo que seria a imagem de marca da equipa norueguesa ao longo dos 90 minutos. Mas Hjulmand recompôs-se, procurando colocar ordem numa casa que se mostrava muito desequilibrada, especialmente em função da inferioridade numérica em que a dupla que formou com João Simões se viu frequentemente, em função do jogo interior muito bem conseguido da equipa da casa. Morten Hjulmand lutou muito, esteve bem em muitas ações de destruição de jogo do adversário, e teve momentos de lucidez que o diferenciaram perante o desnorte coletivo dos leões. Salvou-se do naufrágio. Mas o barco foi ao fundo. 

5 – Rui Silva  - Não foi pelo guarda-redes que o Sporting soçobrou no norte da Noruega. Rui Silva foi evitando o prejuízo enquanto pôde, com uma boa intervenção aos 11 minutos, segurando um cruzamento forte da direita e voltou a brilhar aos 24, detendo o remate de Eujen, que surgiu isolado. Sem hipótese nos golos sofridos, não saiu como réu de uma derrota por 3-0 em terras norueguesas, tal qual sucedeu a Peter Schmeichel, em Stavanger, em 1999. 

4 - Vagiannidis – Um jogo em que se viu grego para travar o lado esquerdo do Bodo/Glimt, com a agravante de não ter tido em Catamo a muleta de que precisava. Fica ligado ao resultado pela grande penalidade (asim entenderam árbitro e VAR) cometida sobre Fet e não foi, de forma alguma, uma aposta ganha por Rui Borges. 

4 - Gonçalo Inácio - Noite pouco inspirada do internacional leonino. Teve um excelente corte aos 16 minutos, tentou, com passes longos (e quase sempre mal medidos) empurrar a sua equipa para a frente, passou por um calafrio (quase autogolo aos 55 minutos) e não chegou a tempo de evitar o 3-0, com Hogh a surgir entre ele e Nuno Santos  

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4 – Diomande - Não teve o jogo de que mais gosta, porque, apesar de tudo, o futebol do Bodo/Glimt foi muito mais técnico do que físico, e não teve oportunidade de se aplicar nos duelos em que é tão forte. Ficou ligado ao segundo golo – demasiado apático - e teve uma fífia aos 45+3 que podia ter sido comprometedora. 

4 – Fresneda – Sem Maxi nem Mangas, e com Nuno Santos muito provavelmente apenas com meia hora nas pernas, teve de se deslocar da direita para a esquerda, e rendeu menos do que o habitual. A sua melhor ação sucedeu aos 50 minutos, quando se integrou no ataque e rematou em arco pouco ao lado, mas acabou batido no um contra um por Hogh no lance do 3-0. 

4 - João Simões - A principal vítima da inferioridade numérica constante com que o duplo-pivot se viu confrontado, Simões não teve a capacidade de Hjulmand de remar contra a maré. O seu melhor lance aconteceu aos 52 minutos, quando um cruzamento levou perigo às redes de Haikin.  

3 – Geny Catamo - Irreconhecível. Pouco fez na manobra atacante, como se estivesse tolhido pelo frio do círculo polar ártico, em contaste com o calor do seu Moçambique natal, e não auxiliou Vagiannidis tanto quanto este precisava, quando o 4x4x2 do Bodo/Dlimt passava a 4x4x3 (Auge ficava à frente de Fet e Bjorkan), criando situações de flagrante superioridade amarela sobre o verde-e-branco. 

4 - Trincão - O seu posicionamento, nas costas de Suárez ou deambulando pelos flancos, esteve longe de ser aquilo que o Sporting mais precisava, perante a compactação do Bodo/Glimt, que mostrou qualidade de passe e um notável jogo interior. Para lá do que a questão tática que o envolveu representou, esteve muito longe das noites inspiradas com que já brindou a plateia leonina. 

3 - Luís Guilherme – Mal se deu por ele, um pouco à imagem de Catamo. Nem a atacar, nem a defender. Um contra-ataque aos 24 minutos e um bom cruzamento aos 52 foi o que de melhor fez. Poucochinho. 

5 - Luís Suárez - Sem apoio, porque Trincão ao estar em todo o lado não esteve em lado nenhum, Suárez deu tudo o que tinha, nunca recusou qualquer duelo e porfiou até ao fim para marcar um golo. O que lhe faltou em ‘bola’, sobrou-lhe em generosidade em prol da equipa. 

3 – Morita - Não  foi capaz de fazer muito diferente de João Simões, numa altura do jogo em que o Bodo/Glimt, estrategicamente baixou linhas e procurou mais os ataque rápidos. Teve alguns passes falhados e não deu a Rui Borges aquilo que ele precisava.  

3 – Nuno Santos – Ingrata a função que lhe foi pedida, de colocar ordem num flanco esquerdo demasiado vulnerável. Teve alguns bons cruzamentos mas ficará sempre com o amargo de boca de ter-se deixado antecipar por Hogh no lance do 3-0. 

3 – Faye – Uma boa ação, aos 90+1, muito pouco para quem tinha por missão sacudir o jogo. 

3 - Daniel Bragança - Entrou para potenciar a reação do Sporting, mas esta nunca existiu.