Gondomar e o regresso à Liga 2: «Estamos à espera da decisão»
Atualmente a competir na Liga Pro da AF Porto, o Gondomar já pensa na Liga 2. Em abril do ano passado, o Supremo Tribunal Administrativo determinou o regresso do clube ao segundo escalão do futebol português, embora a decisão só tenha sido tornada pública em julho, 16 anos depois da despromoção que surgiu na sequência do Apito Dourado.
Em entrevista a A BOLA, Álvaro Cerqueira, presidente dos gondomarenses, faz um ponto da situação acerca do regresso do clube a um escalão em que não compete desde 2009, explicou como foi aguentar o barco ao longo dos últimos anos e abordou ainda o recente investimento da Blue Crow Capital, empresa portuguesa que adquiriu 80% da SAD, numa venda aprovada pelos sócios em Assembleia Geral há pouco mais de um mês. Apenas a equipa principal e uma das duas equipas de juniores do Gondomar passam a ser controladas pela SAD, sendo que todos os outros escalões de formação continuam a pertencer ao clube.
— Em abril do ano passado, foi decretado pelo Tribunal Supremo a subida do Gondomar à Liga 2. Como está o ponto da situação do regresso ao segundo escalão? Não será na próxima época...
— A situação está a ser resolvida com a Federação, para depois a Federação poder falar com a Liga. Certezas de alguma coisa ainda não temos. Está tudo pendente porque estamos à espera da decisão. Esse decreto saiu em tribunal e agora quem tem de decidir é a Federação em conjunto com a Liga.
— Neste momento, portanto, ainda não há nenhuma data prevista para essa decisão sair?
— Nesta altura, não.
— E essa incerteza acaba por afetar a preparação das próximas temporadas, não sabendo em que escalão é que o Gondomar vai jogar ou quando é que vai subir à Liga 2?
— Sim, nós sabemos que o regulamento da Liga diz que qualquer processo judicial que saia só pode ser resolvido no ano seguinte. Por isso, enquanto não nos derem autorização ou ordem, nós não podemos estar a resolver nada. Portanto, temos sempre um ano para poder decidir, para poder resolver a situação.
— Considera que esta decisão acaba por trazer justiça, depois do que aconteceu ao Gondomar?
— Sim. Nós nunca estivemos parados. Ao contrário do que muita gente pensava, nós estivemos sempre a lutar e sempre à espera de uma decisão do tribunal. Soubemos que a Federação esteve sempre a colocar recursos, até onde pôde colocar, até chegar a este ponto.
— E como é que o Gondomar conseguiu manter esta resiliência durante estes anos todos?
— Tratámos de continuar a jogar onde nos deixavam jogar e esperámos até o tribunal decidir. Agora estamos a ver junto do tribunal o que é que eles vão resolver.
— Sobre o investimento da BlueCrow, que adquiriu a maioria da SAD há pouco mais de um mês: o que é que a empresa trouxe para cima da mesa que acabou por convencer os sócios a vender 80% da Sociedade Desportiva?
— De qual BlueCrow se está a falar? É que há alguns jornais a escrever coisas que não correspondem à realidade...
— Pode explicar-nos essa confusão?
— Já colocaram nos jornais que é outra empresa que adquiriu 80% da SAD e não aquela que nós contratámos. E sinceramente não percebo por que é que falam sobre essa outra empresa.
— A BlueCrow está a gerir o fundo de investimento e é uma empresa portuguesa...
— Sim. Não é uma empresa americana, como já li em vários meios de comunicação social. Exatamente, é uma empresa portuguesa.
— No futebol português tem havido alguns exemplos de investidores que adquirem a maioria das SADs e depois os clubes acabam por passar por dificuldades. Que garantias é que a BlueCrow deu no sentido de assegurar um futuro sustentável para o Gondomar?
— Foi a empresa que melhores garantias nos deu. Deu-nos garantias, temos tudo escrito. Está tudo escrito o que tem de ser com eles. Eles entraram em acordo connosco, nós entrámos em acordo com eles e agora vamos ver. Estamos confiantes na empresa, por isso é que a escolha recaiu sobre ela.
— Em relação às infraestruturas, com esta subida de vários escalões, quais são os planos para as próximas temporadas?
— Está tudo programado com a empresa, que vai fazer o investimento naquilo que tem de fazer. O investimento que é feito corresponde às obrigações que existem para podermos jogar na Liga 2. Está escrito, têm de cumprir o programa que têm. Têm de cumprir. É o que nós esperamos: que cumpram tudo o que está escrito. Não têm de fazer quatro casas de banho ou dez chuveiros, não tem nada a ver com isso. Tem, sim, a ver com obras para que o clube possa cumprir os regulamentos que a Liga impõe.
— Haverá sempre uma sintonia entre a BlueCrow e a direção?
— Sim, tem de ser, não há outra maneira. Nós temos 20%. Não contam muito, mas contam sempre alguma coisa.
— E em relação ao plantel e equipas técnicas? Haverá uma grande reestruturação no processo de profissionalização?
— Sim, nós estamos aqui para ajudá-los e eles para nos ajudar. Vamos ver, aindam como vamos fazer este ano. Para a próxima época, claro que sabemos que o clube vai continuar a ter uma equipa a jogar. Essa equipa pode ter dois pontos: pode ter só o Gondomar a fazê-la, como já pode estar com uma parceria com eles para se prepararem para a próxima época. Se entrarmos [na Liga 2], para já estar tudo bem encaminhado em questão de equipa.