Gattuso, selecionador de Itália
Gattuso, selecionador de Itália

Gattuso: «Estacionar o autocarro? É um ótimo jogador de póquer»

Selecionador de Itália respondeu ao técnico da Bósnia. Em jogo está uma vaga na fase final do Mundial

Na véspera do decisivo jogo em Zenica, que vale um lugar no Mundial, o selecionador italiano, Gattuso, abordou a pressão e as emoções de uma partida com a Bósnia que descreveu como a mais importante da sua carreira até ao momento. O encontro, a ser disputado na terça-feira, é a eliminar: quem vencer garante a qualificação para o Mundial.

«Quem joga futebol ou treina vive para noites assim, com o formigueiro, a tensão... Se não sentes isto, tens de parar», afirmou Gattuso em conferência de imprensa. O técnico italiano sublinhou a enorme responsabilidade que recai sobre a equipa, que falhou os últimos dois Mundiais. «Está muito em jogo, sabemos disso, mas não devemos dispersar energias e temos de colocá-las todas em campo. Vamos precisar delas», acrescentou, focando-se na necessidade de transmitir confiança aos jogadores.

Gattuso destacou a evolução do grupo e a importância da mentalidade. «A nossa história diz que, com mentalidade, vontade e capacidade de sofrer, alcançámos objetivos inesperados. Por vezes, tornámo-nos os melhores mesmo não sendo os mais fortes, com a mentalidade e o sacrifício certos. Amanhã [terça-feira], será preciso o mesmo», frisou.

Sobre o adversário, a Bósnia, o selecionador mostrou respeito, mas também alguma desconfiança tática. «Este estádio empurra, eles são uma equipa de qualidade e ouvi o selecionador deles falar em estacionar o autocarro... É um ótimo jogador de póquer, mas nós sabemos que não havia grande diferença entre o País de Gales e a Bósnia. Respeitamo-los, podem colocar-nos em dificuldades, assim como nós a eles», analisou, elogiando o seu homólogo bósnio como um «treinador preparado, que sabe cativar e entrar na alma dos jogadores».

O técnico italiano recusou ainda qualquer desculpa relacionada com o estado do relvado. «Nenhum álibi, falar do campo é para os fracos. Este parece-me bom, mas mesmo que estivesse mau, pouco poderíamos fazer», declarou de forma categórica.

No que toca à evolução da sua equipa, Gattuso recordou o percurso recente: «Há sete meses não éramos assim, sofríamos, agora farejamos os perigos e trabalhamos de maneira diferente. Taticamente, errámos um pouco contra a Irlanda do Norte, mas depois estivemos muito bem.»

Gattuso emocionou-se ao comentar as palavras de Dzeko a seu respeito. «Falámos durante dois meses seguidos quando eu estava em Split, nasceu uma relação incrível, é um profissional fantástico. Não era garantido que dissesse aquelas palavras, é um grande campeão e um grande homem, mas não me surpreende», afirmou, sendo questionado sobre uma possível... derrota.

«Não é o momento para falar sobre isso e não sou a pessoa certa para fazê-lo. Seria uma deceção e um grande golpe se não nos classificássemos e eu assumiria as minhas responsabilidades como selecionador. Tenho meus próprios pensamentos, mas vou guardá-los para mim: para o bem ou para o mal, vou seguir em frente, como sempre fiz», completou.