Ganhou a alcunha de Haaland de Alvalade e agora joga na 2.ª divisão da Noruega
BODO — Tinha apenas 14 anos quando chegou a Portugal, já havia jogado na Noruega e na Indonésia e carregava o rótulo de ser o novo Haaland. Um menino cheio de sonhos, cobiçado por Benfica, FC Porto e Sporting , que escolheu vestir de leão para seguir o caminho do ídolo: Cristiano Ronaldo, claro está.
— Teve um início de carreira interessante. Da Noruega foi viver para Honk Kong, ganhou uma bolsa de estudo para um colégio internacional, ingressou numa equipa da Tailândia e chegou a Portugal muito novo...
— A profissão do meu pai assim o permitiu. Era empresário, tinha vários negócios, eu era muito jovem, mas fui aproveitando as oportunidades.
Adorei estar na primeira equipa. De todas as vezes que lá fui, especialmente com o Ruben Amorim, era extremamente bem tratado, o treinador incluía muito os jovens. E aprendi muito num plantel que tinha jogadores como Matheus Nunes, Palhinha, entre outros
— Fez testes no Benfica, no Sporting e no FC Porto. O que o levou a escolher ingressar na Academia de Alcochete?
— Foi uma mistura de coisas, mas eles foram os que mostraram mais interesse. Disseram que queriam que me mudasse para lá. Então a minha família aceitou e também se mudou para Portugal, foi bom tê-los lá e eu no sítio onde Cristiano Ronaldo começou. Era um ídolo. Um ano depois de estar na Academia, com excelentes condições, assinei contrato.
— Em 2018/2019 marcou 15 golos em 14 jogos e começaram a chamá-lo de Haaland de Alvalade. Foi um legado pesado?
— Sim, mas foi bom. Uma temporada em que fiz muitos golos. As comparações eram por causa da nacionalidade.
— Despertou a atenção de Ruben Amorim e foi chamado várias vezes a treinar com a equipa principal.
— Sim, muitas vezes. Adorei estar na primeira equipa. De todas as vezes que lá fui, especialmente com o Ruben Amorim, era extremamente bem tratado, o treinador incluía muito os jovens. E aprendi muito num plantel que tinha jogadores como Matheus Nunes, Palhinha, entre outros. Davam-nos dicas e conselhos, eram sempre boas experiências esses treinos.
— Como acompanhou o percurso de Amorim no Man. United?
— Cultura diferente, tudo diferente. Talvez não tenha sido o melhor clube para ele, mas acho que ele voltará. É um ótimo treinador, vi o trabalho dele e sei que fará ótimas coisas no futuro.
Não podem subestimar o Bodo. Estão na pré-época, estagiaram em Espanha, estão a trabalhar única e exclusivamente para a Liga dos Campeões, ao contrário das restantes equipas, que jogam de três em três dias, estão menos cansados, com muita energia e a praticarem um futebol muito atrativo
— Porque deixou o Sporting?
— Um conjunto de coisas... Tive algumas lesões, o meu agente não estava feliz com o contrato, eu queria jogar numa equipa principal, havia vários convites, da Polónia, por exemplo, também da Noruega, mas acabei no Chipre, infelizmente.
— A sua antiga equipa vai estar na Noruega para defrontar o Bodo/Glimt na Champions. Quais serão as principais dificuldades?
— O Bodo é uma equipa muito, muito boa. Vê-se pelas coisas que fizeram, não só na Liga de Campeões, mas também na Liga Europa, em que derrotaram grandes equipas, como a Roma. Estão a jogar a um nível superior e os adeptos estão muito entusiasmados. Os jogadores jogam juntos há muito tempo, têm as suas dinâmicas e estão muito bem entrosados. Vai ser um jogo muito difícil para o Sporting, que está a fazer uma boa caminhada na Champions e também no campeonato. Vai ser um jogo interessante e, infelizmente, muito difícil para o Sporting. Acho que o Bodo vai ganhar e passar.
— Que conselho dá aos jogadores do Sporting?
— Que não podem subestimar o Bodo. Estão na pré-época, estagiaram em Espanha, estão a trabalhar única e exclusivamente para a Liga dos Campeões, ao contrário das restantes equipas, que jogam de três em três dias, estão menos cansados, com muita energia e a praticarem um futebol muito atrativo. Além disso, o Sporting não está habituado a jogar em campo sintético, é mais um ponto a favor do Bodo.
— Vai estar na bancada? Porque quem vai torcer?
— Infelizmente não posso ir ao estádio, também estamos a preparar a época e estou distante, a mais de mil quilómetros. Vou ver pela televisão e torcer pelo Bodo... Tenho lá um grande amigo, o número 8, Sondre Auklend.
«Recuperei o gosto de jogar futebol»
— Diz que a passagem pelo Chipre foi uma má experiência. Jogou no DOXA, o que aconteceu lá?
— Estava muito entusiasmado quando fui, mas, sinceramente, foi um autêntico desastre, uma temporada de sofrimento e desgaste para mim. Aconteceram tantas coisas... Foi um desafio constante. As condições de trabalho não eram boas, não recebia ordenado, durante muito tempo nunca sabíamos quando teríamos dinheiro... O dono era louco, dizia coisas loucas, até nos chegou a ameaçar. Foi, de facto, uma experiência péssima. Quando se sai do Sporting para viver algo assim é uma coisa a não repetir, de tal modo que perdi a vontade de continuar. Mentalmente foi muito mau o efeito que provocou em mim.
— Regressou à Noruega e está agora no Follo, da 2.ª Divisão.
— O que me aconteceu no Chipre teve um grande impacto na minha carreira. Então, agora, tenho de começar de baixo para voltar a subir. Regressei ao meu país, as pessoas acreditam em mim e, sinceramente, recuperei o gosto de jogar futebol. Quero trabalhar bem, não me lesionar e dar o melhor.
— Está arrependido pela decisão que tomou em deixar o Sporting?
— Não sei... Foi onde comecei a minha carreira profissional. Na realidade, onde verdadeiramente começou tudo. Acho que se não me tivesse lesionado a história poderia ter sido diferente. Quem sabe não possa regressar? Daqui a dois ou três anos [risos]. Agora, estou empenhado em fazer as coisas bem e dar o meu melhor. O futuro logo se vê o que ditará.