Cinco minutos e 57 segundos sem futebol e com as emoções mais fortes
Com a respiração suspensa — há aqui um exagero, claro — durante cinco minutos e 57 segundos, jogadores e equipa técnica de Farense e Académico de Viseu, para lá dos 2.197 espectadores, esperaram que o árbitro João Gonçalves, depois de ter sido chamado pelo VAR e consultado as imagens na televisão, anunciasse a decisão final sobre penálti que tinha assinalado na área dos algarvios. Houve mesmo mão de Rafael Teixeira, médio dos leões de Faro, mas antes, também na área, o avançado Clóvis, do Ac. Viseu, também tinha tocado a bola com a mão. Penálti revertido.
Esses foram, ali entre 86 e 90+2 minutos, os momentos mais emocionantes do jogo. Treze minutos de compensação depois, o Farense festejou o empate como vitória, afinal jogou toda a segunda parte com menos um jogador, por expulsão de Sangaré, no segundo minuto de compensação da primeira. O Ac. Viseu só despertou, verdadeiramente, depois do lance do penálti. Já não foi a tempo. E só pode ter regressado insatisfeito, por ter perdido oportunidade de reforçar a candidatura à subida de Divisão.
Foram, até, os viseenses que começaram melhor, com iniciativa de jogo e um bom disparo de Clóvis, após passe de Mortimer, mas Brian Araújo fez a primeira de várias defesas boas (6'). O que pareceu urgência do Ac. Viseu depressa se transformou em conformismo — a equipa sentiu dificuldades em criar lances perigosos em ataque posicional, a bola chegou poucas vezes a Kahraman e Clóvis. Mas sentiu-se bem por conseguir, apesar de tudo, ameaçar a baliza do Farense — foi o que fizeram Zamora (28'), num remate cruzado fora da área ao lado do poste direito, Clóvis, também num disparo cruzado fora da área mas ao lado do poste esquerdo, e Mortimer, num remate para defesa de Brian Araújo.
O Farense pouco perigo foi capaz de criar no ataque. Quando Sangaré foi expulso (segundo amarelo por tocar com o braço na cara de Luís Silva, depois de ter visto o primeiro por falta dura sobre Robinho), aos 45+2', temeu-se o pior no São Luís. Os leões algarvios, porém, até surgiram melhor na segunda parte, agora com Rui Costa, que entrou ao intervalo, sozinho no ataque. A energia do avançado e a genica de André Candeias reanimaram a equipa.
A procurar a profundidade de Rui Costa e André Candeias, sem preocupações de trocar a bola, os primeiros 15 minutos da segunda parte foram do Farense, com os melhores lances aos 51 minutos, por Rui Costa e Rúben Fernandes.
Com pouco de interessante até ao lance de penálti que acabou revertido, houve um jogo diferente dos 90 aos 90+13 minutos. Aí só com o Ac. Viseu a acelerar. Kahraman, João Guilherme e Steczyk ainda cheiraram o golo. Mas apenas isso.