Froholdt no centro do debate na Dinamarca (e com um ex-leão ao barulho)
Se em Portugal, a condição de suplente de Cristiano Ronaldo na vitória de Portugal na Noruega anima as discussões, na Dinamarca é Victor Froholdt que assume parte desse protagonismo mediático. De titular a suplente utilizado nos derradeiros três minutos, contra o País de Gales, num triunfo por 2-0 dos nórdicos que, de certo modo, atenuou o efeito bola de neve.
O próximo compromisso dos nórdicos, amanhã, é contra Portugal e a imprensa dinamarquesa foca um aspeto no ordenamento do meio-campo frente aos galeses que causou alguma perplexidade. Depois da derrota por 2-3 com a Noruega, Pierre-Emile Hojbjerg questionou publicamente a compatibilidade com o ex-Sporting Morten Hjulmand, por considerar que ambos têm características semelhantes. O capitão pediu ao selecionador que ponderasse deixar um dos dois no banco, mas recuou e pediu desculpa pelas declarações.
Antes do encontro com os galeses, Brian Riemer reconheceu que o trio composto por Hojbjerg, Hjulmand e Froholdt podia «representar um desafio», por «reunir jogadores de perfil parecido.» A solução? Manter os dois primeiros no onze, deixar o portista no banco e colocar Damsgaard por dentro, com Isaksen na ala. Riemer explicou a decisão assim, afastando a tese de um sacrifício ou uma crítica individual a Froholdt.
O resultado, perante um adversário com menos argumentos, não encerrou a debate sobre o equilíbrio do meio-campo nem provou, para uma parte importante dos adeptos dinamarqueses, que a dupla Hojbjerg/Hjulmand seja a solução ideal. O episódio alimenta as conversas na Dinamarca sobre como integrar um médio de enorme potencial numa zona já ocupada por jogadores de características semelhantes.
Portugal é longe, mas a Liga é seguida com atenção. Na época passada, Froholdt foi titular em 32 das 34 jornadas do campeonato, marcou seis golos e fez seis assistências. Com ele no onze, o FC Porto somou 27 vitórias e quatro empates; os únicos dois desaires no campeonato, com o Casa Pia e Aves SAD, coincidiram com os jogos em que começou… no banco. Fruto dessa época excecional, foi eleito Melhor Jogador e Melhor Jovem da Liga.
Também regressou em grande depois do choque de cabeças sofrido frente ao Moreirense, que o deixou inconsciente e o afastou dos jogos com o Manchester City e o Casa Pia. De volta ao onze diante do Benfica, marcou o golo que colocou o FC Porto em vantagem, o décimo ao serviço dos dragões. A resposta reforçou a imagem de um médio que aparece e decide nos momentos decisivos e em jogos de grande intensidade.
Aliás, a valorização que tem conhecido acompanha essa afirmação. O Transfermarkt coloca Froholdt em 50 milhões de euros, como segundo dinamarquês mais cotado, atrás apenas de Rasmus Hojlund, avançado do Nápoles avaliado em 60 milhões após a mais recente atualização disponível.
Já o CIES estimou o valor de transferência do portista em 83,7 milhões, o mais alto entre os jogadores que atuam fora das cinco principais ligas europeias. São métricas diferentes, mas ambas traduzem a projeção alcançada pelo médio. A questão, agora, é outra: como transformar esse crescimento num papel estável também na seleção, quando está em alta no FC Porto?
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