Falta de adeptos, iluminação e emoção em Chaves, mas não de cabeça (crónica)
Mesmo sem adeptos, o Chaves venceu na receção ao Académico de Viseu, segundo classificado, que procurava saltar para o primeiro lugar da Liga 2, por 1-0. Esta foi a segunda vitória consecutiva em casa, embora o clube só tenha somado mais um ponto nos restantes (e anteriores) oito jogos da liga.
O encontro ficou marcado pela ausência dos adeptos de ambos os lados nas bancadas e isto aconteceu devido ao castigo de dois jogos à porta fechada para os flavienses. Em causa estão os incidentes num jogo com o Estoril em 2024 na Liga, em que houve invasão de campo e agressões entre adeptos dos dois clubes, já na compensação.
Por isso, este foi o primeiro teste da equipa de Vítor Martins sem o apoio habitual, mas os adeptos fizeram-se ouvir, principalmente no início da partida, em redor do estádio. Aliás, por volta do primeiro quarto de hora, até lançaram fogo de artifício, talvez numa demonstração para os jogadores de que estavam atentos e a apoiá-los.
Relativamente ao jogo, não houve muita qualidade nem muitas oportunidades de golo, sendo que os primeiros minutos também foram marcados por outra questão extrafutebol: por volta dos 10', o árbitro interrompeu a partida por breves minutos o encontro devido à falta de iluminação no estádio. O problema foi resolvido mais ou menos rapidamente, mas a bola voltou a rodar ainda antes disso, aproveitando a luz solar que ameaçava desaparecer.
André Clovis, o melhor marcador do campeonato com 19 tentos e ainda 2 assistências, foi o elemento mais perigoso, especialmente na primeira parte, tendo tido duas boas oportunidades para abrir o marcador. Primeiro, aos 22 minutos, atirou a bola ligeiramente por cima e depois, já perto do intervalo, atirou às redes… do lado de fora, num remate potente.
Esse segundo momento até aconteceu logo a seguir a uma bola parada perigosa que quase resultou em autogolo de Gustavo Costa, após Pedro Barcelos ver o primeiro amarelo do jogo. Na resposta (imediata), em contra-ataque, o Chaves protagonizou uma bela jogada coletiva e André Rodrigues, após uma combinação, testou os reflexos de Gril.
Na segunda parte, o equilíbrio na partida manteve-se, mas Gustavo Costa entrou com tudo e obrigou Vozinha a uma grande intervenção. Além do golo, o destaque ainda vai para um livre direto de Gohi (59’), que teve pontaria a mais e atirou ao poste, mas o lance estava controlado pelo guarda-redes cabo-verdiano, que até se encolheu… antes da bola ir ao ferro.
O jogo parecia mesmo que ia terminar empatado a zero, mas eis que um pontapé fulminante de Reinaldo, à entrada da grande área, resultou no único golo do encontro. Não foi o brasileiro a marcar, mas sim Jorge Delgado, após o seu colega ter acertado com estrondo na trave. O espanhol, acabado de entrar (70’), viu o lance mais à frente do que todos e acreditou na recarga, cabeceando para o fundo das redes (78’).
É caso para dizer que houve falta de adeptos, iluminação e até emoção, mas pelo menos houve cabeça. Três pontos importantes para o Chaves, que se afasta da zona de despromoção e assume um lugar mais confortável na tabela, ameaçando até lutar pela promoção. Segue-se o Sporting B, precisamente o terceiro classificado, antes de receber o União de Leiria, também à porta fechada. Já o Académico de Viseu vai procurar responder da melhor forma na receção ao Leixões.