Eustáquio: «Joguei em bons clubes, mas nada se compara ao FC Porto»
De partida, Stephen Eustáquio recorda em entrevista a passagem pelos dragões, sublinhando que, embora tenha jogado em «bons clubes em Portugal», a experiência nos dragões foi incomparável: «Nada se compara ao FC Porto». Depois de ter sido oficializado como reforço do Swansea, o internacional canadiano encara agora uma nova fase, afirmando que passará de «um adepto que jogava» para «um sócio que vai acompanhar a equipa».
Em declarações aos meios do emblema azul e branco no momento da despedida, o médio descreve a sua chegada à cidade Invicta como o ponto alto da carreira, uma «transição muito grande» que o fez sentir que merecia estar naquele patamar, mas ciente da «exigência muito maior». O jogador recorda que encarou «todos os jogos e todas as oportunidades» como «finais», abraçando o desafio com «humildade para tentar ajudar a equipa».
O centrocampista, que chegou proveniente do Paços de Ferreira no mercado de inverno de 2022, realça o que considera ser o «ADN Porto», mencionando dois momentos-chave: a entrada no Olival, onde «todos estão focados em fazer do FC Porto campeão nacional», e a reação às derrotas. «Nunca tinha passado por uma experiência dessas, em que perder era o fim do mundo, e tem de ser assim no FC Porto», afirmou, valorizando a aprendizagem ao lado de figuras como Pepe, Otávio, Uribe e Marcano.
A exigência da braçadeira de capitão
Assumir a braçadeira de capitão foi, segundo Eustáquio, uma «grande responsabilidade», diferente da experiência que já tivera na seleção do Canadá. «A exigência era muito alta», confessou, destacando o desafio de liderar a equipa numa das «épocas mais difíceis da história do clube» (2024/25) ao lado de Cláudio Ramos, Iván Marcano e Diogo Costa. O resultado, frisa, foi positivo: «Hoje, o FC Porto tem um balneário super coeso e unido. Está abraçado aos adeptos e é isso que queremos».
«Sou um dos mais velhos neste momento, tanto em idade como em antiguidade, e é um momento de satisfação. Passámos por muitos momentos difíceis, mas também por muitas vitórias. Acho que hoje somos realmente uma equipa muito coesa e dificilmente vão conseguir bater-nos», acrescentou.
O troféu mais saboroso
Entre as várias conquistas de dragão ao peito (nove no total), Eustáquio elege a Taça da Liga como o troféu que lhe dá um orgulho especial. Recordou a pressão que existia sobre a equipa para vencer a única competição nacional que faltava no palmarés do clube e o seu papel decisivo na Final Four de Leiria, onde marcou contra o Académico de Viseu e o Sporting, na edição de 2022/23.
«Há uma imagem de quando marco o golo na final em que começo a correr e a dizer “é desta, é desta, é desta”. Confiava mesmo que era daquela vez que íamos ganhar e a verdade é que ganhámos», confidenciou.
Outro momento marcante foi o golo número mil do Estádio do Dragão, apontado contra o Atlético de Madrid na UEFA Champions League. O jogador descreveu a jogada, iniciada por Zaidu e continuada por Galeno, que culminou num remate potente para bater Jan Oblak. O golo ajudou a equipa, então comandada por Sérgio Conceição, a garantir a passagem aos oitavos de final da competição.
A reviravolta histórica na Supertaça e o apoio nos momentos difíceis
A conquista da Supertaça de 2024 foi descrita como «especial e histórica». O atleta lembrou a desvantagem de 3-1 frente ao Sporting, então campeão nacional, e a crença inabalável na reviravolta. «Conseguimos fazer dois golos em dois minutos, consegui ajudar com uma assistência e, desde o momento em que fazemos o 3-2 e vamos atrás do 3-3, não tive dúvidas de que não íamos perder aquele jogo», enaltece.
Numa nota mais pessoal, o jogador abordou a perda dos pais, momentos que coincidiram com o nascimento da sua filha. Revelou que a dedicação ao FC Porto e o apoio dos colegas e da estrutura do clube foram fundamentais para superar o luto. «Se virem as imagens dos funerais dos meus pais, estavam lá jogadores do FC Porto, diretores, a estrutura do clube e o presidente. Todos acompanharam o processo. Isso mostra a grande união que este Clube tem», partilhou.