Jorge Jesus na estreia pela Seçeção (Foto: Miguel Nunes)
Jorge Jesus na estreia pela Seçeção (Foto: Miguel Nunes)
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Elogios à defesa e a ‘inpiração’ em Amorim: tudo o que disse Jesus

Selecionador nacional venceu na estreia por Portugal o País de Gales, na 1.ª jornada da Liga das Nações. Fala de Nuno Mendes, Ronaldo e aborda próximos desafios da equipa

— O que é que Portugal precisa de fazer contra Noruega e Dinamarca que não foi feito com o País de Gales?

— O que me interessa é falar do País de Gales. Ganhámos, temos uma grande margem para melhorar, não entrámos bem no jogo porque eu pensava que o País de Gales ia jogar com um trio diferente no meio-campo, mas depois ganhámos depois referências a defender e nos últimos 30 minutos da primeira parte marcámos. O País de Gales esteve bem organizado a defender, mas ofensivamente só fez um remate à baliza. Estou contente com o que a minha equipa fez, sobretudo defensivamente. Parabéns aos jogadores, sabendo que há muita margem para crescer.

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— No que se vai concentrar para corrigir para este jogo?

— Estamos a trabalhar em cima de jogos, não tive uma base para depois dos jogos ter outros processos nos quais podíamos, agora, ser melhores. O selecionador de Gales tem dois anos de trabalho e uma equipa muito bem trabalhada. Temos de corrigir em cima deste jogo antes de irmos para a Noruega. Vamos tentar melhorar, há margem para isso. Houve jogadores que não estiveram tão perto da sua qualidade individual. 

— Bruno Fernandes defendeu mais pela esquerda e fez lembrar adaptações de Jesus noutros clubes, é aqui que ele vai jogar?

— Com Ruben Amorim no Manchester United era ali que o Bruno jogava, pelo lado esquerdo fechado. Jogava ao meio com bola, sem bola já tem que baixar e ajudar o lateral esquerdo. É uma posição que ele conhece. Ele ou jogava como segundo médio, ou na posição de hoje. O Bruno é um jogador de corredor central, nunca foi um jogador de corredor lateral. 

— Nuno Mendes é claramente importante na manobra ofensiva que idealiza, como viu a sua exibição, e porque saiu ao minuto 79, tanto que Nuno Tavares nem teve tempo para aquecer?

— Analisou bem o papel do Nuno Mendes. Ele pediu para sair por cansaço. E o Nuno Tavares teve uma entrada muito boa no jogo.

— Como viu a exibição de Ronaldo e depois os assobios a João Palhinha?

— Tirei o Ronaldo quando faltavam 25 minutos porque achei que era importante ter um jogador fresco e pressionante a defender, que não deixasse que os centrais adversários construíssem com facilidade e sabia que o Gonçalo faria isso, mesmo que perdessa alguma técnica em relação ao Cris. O Cris podia ficar mais cinco ou 10 minutos. Assobios a Palhinha? Nem percebi bem, mas isso para mim não é um problema. Eu não penso em pôr um jogador a pensar que o vão assobiar. O Rúben Neves estava a perder alguma intensidade de jogo e o João podia dar-nos segurança no corredor central. Foi por isso que entrou, agora, nunca vou estar preocupado em relação ao que pode acontecer com os adeptos.

— O que achou do desempenho de João Félix?

— Conheço-o muito bem e neste jogo, deixei-o estar em campo mesmo sabendo que estava cansado, porque é um jogador diferenciado. Fez golo, correu muito defensivamente, porque eu pedi-lhe para cobrir o médio defensivo de Gales e para pressionar o central do lado esquerdo. Com bola é muito sereno, a saber ocupar os espaços para entrar no jogo.

— Como sentiu as emoções nesta sua estreia na Seleção?

— Estou sempre dentro do jogo, é normal que hoje estivesse ainda mais dentro do jogo por dois motivos. Um, é a emoção de fazer o primeiro jogo pela Seleção, isso cria algum sentimento. Depois, porque os jogadores têm pouco tempo de treino comigo e eu estou a ver o jogo e vejo que alguns posicionamentos estão mal e então entro no jogo para corrigir os posicionamentos. É assim que vou estar no futebol.

— Está satisfeito com a forma como a equipa geriu os diferentes momentos do jogo?

— Sim, houve um período em que sentiram que podiam controlar o jogo e conseguiram ter a posse de bola no meio-campo adversário, o que nos deu segurança no controlo do jogo e do resultado. Isso satisfez-me. A equipa, nos últimos 10 minutos, não quis arriscar tanto na perda de bola para sofrer um contra-ataque rápido, e houve uma situação num canto nosso em que eles ganharam vantagem numérica num contra-ataque, mas a nossa equipa foi consciente na forma como podia ganhar o jogo.

— Tem sido difícil tirar as ideias de Martínez desta Seleção?

— Não, quando tens uma ideia não pensas que estás a passar algo difícil em relação ao passado, porque tens jogadores de alto nível, habituados a jogarem com ideias diferentes de vários treinadores. Todos os jogadores que estão nas seleções têm ideias diferentes dos clubes, e os selecionadores depois passam outras ideias. Mas com jogadores inteligentes é mais fácil. Se me perguntarem o setor de que mais gostei, foram os quatro defesas atrás, pensaram como equipa, pensaram que há muito mais do que só bola e jogador quando se defende. Agora, é verdade que o País de Gales não tem os avançados da Dinamarca e da Noruega, mas tem oito jogadores da Premier League, com muita qualidade, e a nossa equipa esteve muito bem.

— Com Martínez, Vitinha e João Neves eram a dupla titular no meio-campo, deixará de o ser consigo?

— O que vem dos clubes não me interessa, só me interessa o que faço na Seleção. Não me importa muito o que fazem nos clubes deles, interessa-me que eles tenham qualidade para terem uma ideia de jogo para a Seleção, e foi isso que fiz com Rúben Neves e o Vitinha a titulares hoje. 

— Portugal teve 10 remates à baliza, mas o Danny Ward não tremeu muito além do golo, Portugal ainda tem mais a dar?

— Portugal pode e quer fazer melhor. Notou-se que tecnicamente é melhor do que a equipa de Gales, portanto o nosso percurso é tentar crescer cada vez mais. Com a Noruega temos de crescer mais porque a Noruega é muito forte, tem uma das duplas de avançados mais fortes do mundo, mas acreditamos que vamos melhorar o conteúdo do jogo de Portugal. 

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