Duarte Moreira: qualquer semelhança com Cláudio Braga (não) é coincidência
OSLO —Qualquer semelhança entre a história que vamos contar e a de Cláudio Braga não é pura coincidência. Antes de brilhar no Hearts, o avançado deixou marca na Noruega e abriu a porta à entrada de mais futebolistas portugueses no país. Em 2023, quando representava o Valadares, no Campeonato de Portugal, Duarte Moreira não hesitou em dar o passo em frente. «Não sei se o Cláudio me recomendou ou não, mas somos amigos. Passávamos verões inteiros na praia a jogar futebol», começa por contar, a A BOLA, Duarte Moreira, ponta de lança do HamKam, da liga norueguesa.
«Vim para de forma algo espontânea. O meu empresário é dinamarquês, é o mesmo do Cláudio Braga, e conhece o mercado da Escandinávia. Fiz testes no HamKam, onde jogo agora, mas acabei por não assinar. Fui para o Bryne, na segunda divisão», recorda o atacante, de 24 anos. «O início foi difícil. Língua nova, país novo, tudo diferente em termos de hábitos... Mas uma pessoa que nada tem a perder vai atrás do sonho. Não se pensa nas saudades, pensa-se em triunfar», prossegue.
Duarte Moreira não tardou a dar nas vistas e, antes do salto para o principal escalão norueguês, em agosto deste ano, marcou 26 golos e fez 10 assistências em 93 partidas pelo Bryne. As condições que encontrou, garante, nada ficam a dever às da Liga portuguesa. «Na primeira divisão, diria que é igualzinho. E ainda vai desenvolver mais, há quatro anos ninguém imaginava o salto que a Noruega ia dar entretanto. Agora há fome de Mundiais, de Europeus... É o efeito Haaland a funcionar!», reconhece o luso, embora outro (previsível) protagonista do embate desta noite, em Oslo, também seja uma constante nas conversas: «Aqui, olham para o jogador português como alguém com muita qualidade. Dizem que somos do país do futebol, associam-nos muito ao Cristiano Ronaldo, claro.»
Hoje, Duarte Moreira vai estar em Oslo, mas a esperança de poder assistir ao Noruega-Portugal ao vivo não é grande. «Gostava de ir ao estádio, mas os bilhetes esgotaram numa hora. Haaland, Ronaldo... Muita gente quer ir ver, mas até mais pela ascensão da Noruega, depois do Mundial que fizeram. Acreditam muito na equipa nacional», explica o internacional jovem pelas Quinas, deixando uma ou outra dica a Jorge Jesus e companhia: «Vai ser duro para a Seleção. A Noruega sabe defender e contra-atacar, o Haaland e o Nusa vão ser um perigo. E há o aspeto físico, são duros e sentem-se confortáveis nesse tipo de jogo. Mas Portugal tem muita criatividade. Acredito que vai sair por cima!»
«Em Portugal, o caminho fecha-se muito para nós»
Desafiado por A BOLA a justificar a opção pela Noruega, Duarte Moreira foi claro. «Já comentei isto com vários jogadores e amigos: acho que é mais fácil fazermos o nosso caminho aqui. Em Portugal, o caminho acaba por ser muito fechado e mais difícil. Os clubes portugueses apostam mais depressa num estrangeiro do que em nós. Somos trabalhadores, vimos de clubes com qualidade e facilmente somos aposta por cá», justifica o avançado, que, agora, até conta com um compatriota no balneário do HamKam: João Barros, defesa que emigrou para a Escandinávia há dois anos, proveniente do Gil Vicente. «É curioso, porque no meu primeiro dia no HamKam senti uma satisfação enorme só de vê-lo e por poder falar português todos os dias. Podemos falar sobre tudo sem ter de pensar em norueguês ou em inglês», conta, entre risos.
O futuro imediato passa por dar continuidade ao trabalho em solo norueguês, mesmo que o futebol praticado seja, por vezes, «demasiado físico». «Tenho contrato até 2029. Voltar a Portugal não faz sentido. Tirando FC Porto, SC Braga, Benfica e Sporting, acho que não seria o passo certo a dar», frisa Duarte Moreira.