André Villas-Boas na noite que o levou à cadeira de sonho — Foto: Grafislab
André Villas-Boas na noite que o levou à cadeira de sonho — Foto: Grafislab

Dois anos de Villas-Boas com a grande promessa a caminho

Assinalam-se hoje 730 dias desde a eleição de André Villas-Boas como 32.º presidente do FC Porto. Líder tem primado pela fidelidade ao caminho que traçou ainda na campanha. Muito mudou e o título tão próximo... que será dedicado a um amigo que partiu cedo demais

Dois anos depois de ter sido eleito presidente do FC Porto, André Villas-Boas consolida um ciclo de mudança que começou ainda antes da histórica vitória eleitoral de 27 de abril de 2024. A candidatura, lançada sob o lema 'Só há um Porto' viria a traduzir-se num resultado esmagador nas urnas, com mais de 80% dos votos e o fim de um ciclo de 42 anos liderado por Pinto da Costa. A apresentação, na Alfândega do Porto, marcou o arranque de um projeto que prometia devolver o clube aos sócios, reforçar a competitividade e reposicionar o FC Porto num patamar de exigência condizente com a sua história. AVB assumiu desde o primeiro momento a necessidade de honrar o passado, mas sem fugir à inevitabilidade da mudança.

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O diagnóstico traçado na altura era claro: um clube com dificuldades em gerar valor, condicionado por interesses externos e a perder força na afirmação da sua identidade. Dois anos depois, muitas das promessas eleitorais deram lugar a medidas concretas. A transparência tornou-se marca da nova gestão, simbolizada pela criação do Portal da Transparência e pela auditoria forense às contas da última década.

Ao mesmo tempo, o clube avançou com novas modalidades, como o futebol feminino, que alcançou em dois anos duas subidas até chegar à elite, e o futsal (equipas jovens), e reforçou a base associativa, estando já acima dos 175 mil sócios. Um aumento de mais de 25 mil desde o início de 2025/26, com mais de 70% das novas inscrições a serem realizadas através do Portal do Sócio.

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No plano financeiro, a prioridade passou por estabilizar a SAD e garantir o cumprimento das exigências da UEFA. A reestruturação da dívida, incluindo a operação com recurso ao mercado internacional, permitiu aliviar a pressão de curto prazo. A esse nível, o lançamento de uma emissão de obrigações no valor de 115 milhões de euros junto de investidores institucionais, através de colocação privada no mercado norte-americano com uma taxa de cupão fixa anual de 5,62%, representou uma operação inovadora e que se traduziu numa estabilidade nos próximos 25 anos.

Também ao nível das infraestruturas houve mudanças de rumo. A ideia da Academia da Maia foi abandonada, dando lugar ao projeto de um Centro de Alto Rendimento nas imediações do Olival, numa lógica de maior sustentabilidade e integração com já estrutura existente. Muito em breve, são esperadas novidades.

No plano desportivo, o percurso tem sido feito entre conquistas e a necessidade de consolidar um projeto consistente e duradouro. Dois anos depois, mais do que o impacto imediato das decisões, é visível uma transformação estrutural no FC Porto. Falta outra promessa, quase a ser cumprida: recuperar o título nacional. A parte desportiva foi peça central da ação de AVB quando decidiu avançar para a presidência: garantiu uma gestão desportiva de ponta, com capacidade para montar um plantel competitivo.

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O primeiro impacto não foi aquele que tinha imaginado. Caiu Vítor Bruno e, depois do Mundial de Clubes, Anselmi. Mas à terceira parece ter sido de vez: Francesco Farioli deu forma ao desejo de sucesso e sobretudo à intensa procura do título nacional celebrado pela última vez em 2021/2022.

Cerca de oito meses depois de um mercado de verão que envolveu o maior investimento de sempre do FC Porto, superior a 100 milhões de euros, o troféu está à mão de semear e logo numa época em que Sporting e Benfica têm superado expectativas em termos pontuais. E por falar em rivais, a contenda continua bem acesa — em particular com os leões e o homólogo, Frederico Varandas —, com Villas-Boas a dar voz veemente à defesa dos interesses do clube a que preside.

A enorme dor de perder um amigo

O dia 5 de agosto de 2025 terá sido o mais difícil dos dois anos de André Villas-Boas na liderança do clube do coração. Numa manhã como tantas outras no Olival, Jorge Costa, lendário capitão e à data diretor do futebol profissional do FC Porto, sofreu uma paragem cardiorrespiratória. Acabaria por não resistir e o presidente dos dragões perdia não só um dos seus braços-direitos, mas também um grande amigo.

Desde então, Villas-Boas raramente escondeu a emoção ao recordar o Bicho, inclusive a 14 de outubro, quando o Centro de Treinos e Formação Desportiva Porto/Gaia foi rebatizado com o nome de Jorge Costa. Foi, também, assumido o compromisso de pagar à família a totalidade do contrato do antigo camisola 2.

E a verdade é que, ao longo da temporada, Jorge Costa tem sido figura (espiritualmente) presente nas vitórias azuis e brancas, com Francesco Farioli e os jogadores e evocarem, em diversas ocasiões, a memória do histórico capitão como forma de aludir ao espírito à Porto.

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