José Mourinho no final do FC Porto-Benfica da Taça de Portugal (foto: IMAGO)
José Mourinho no final do FC Porto-Benfica da Taça de Portugal (foto: IMAGO)

Do clássico do detalhe à «situação difícil» de Mourinho

O detalhe que decidiu o clássico da Taça não esteve só no golo de bola parada e no falhanço incrível, mas fica também uma frase de José Mourinho que talvez precise de ser analisada com pormenor

De um lado a cabeçada de Bednarek a evocar Jorge Costa, do outro o falhanço de Pavlidis a lembrar Bryan Ruiz. O clássico da Taça de Portugal caiu para o lado do FC Porto, mas o detalhe que decidiu o apuramento para as meias-finais não esteve apenas no aproveitamento de um pontapé de canto como expoente máximo da eficácia.

O Benfica jogou acima daquilo que tem sido o padrão da temporada, mas o crescimento coletivo — com uma atitude competitiva que nada ficou a dever ao rival — ficou órfão do plano individual, incapaz de fazer a diferença no Dragão.

Como tantas vezes no futebol, a nódoa caiu no melhor pano, o de Pavlidis, tão só na companhia de Prestianni, Barreiro e Sidny Lopes Cabral. Isto perante uma muralha azul que já era impressionante, e que agora ainda foi reforçada com a contratação de Thiago Silva. Embora mais discreto do que Bednarek, o brasileiro teve uma estreia arrebatadora, tanto a proteger a sua baliza como a construir jogo (aquela dobra na lateral direita, concluída com um passe entre as pernas de Sudakov…)

A coesão defensiva do FC Porto começa em Samu, mas já por aqui escrevi que o maior upgrade na equipa deste ano é mesmo a qualidade dos elementos da linha defensiva.

José Mourinho já teve mais razões para apontar o dedo aos jogadores, mas no adeus a outra taça fez questão de realçar que foi contratado pelo Benfica «numa situação difícil».

Favorável não era, seguramente, ou não teria sido chamado a substituir Bruno Lage, mas Mourinho não deve estar a fazer contas à luta pelos títulos internos, que o prejuízo atual já vai além daquele que herdou.

Talvez a «situação difícil» esteja relacionada (também) com o plantel que herdou, mas aí o técnico perdeu margem para pedir reforços, tendo em conta a ambição limitada com que a equipa pode encarar a segunda metade da temporada.

Talvez a «situação difícil» esteja relacionada com o processo eleitoral que o clube atravessou, ou com carências que Mourinho possa identificar na estrutura do Benfica. Talvez.

Ficou por entender a real dimensão das palavras do técnico encarnado, mas seria importante — para sócios e adeptos, acima de tudo — que a mesma fosse explicada um dia destes, pelo próprio.

Hoje não será, que Mourinho não fará conferência de imprensa de antevisão da visita a Vila do Conde.