Farioli e Felipe Sánchez conheceram-se na Aspire Academy, no Qatar
Farioli e Felipe Sánchez conheceram-se na Aspire Academy, no Qatar - Foto: IMAGO

Do aviso do pai ao trabalho com... Anselmi: o perfil do novo adjunto de Farioli

Felipe Sánchez é a mais recente aquisição da equipa técnica do FC Porto. O espanhol, de 39 anos, já tinha trabalhado com o técnico dos dragões e também com o... antecessor do italiano. Formado em jornalismo, é obcecado pelo detalhe, emocional e focado no desenvolvimento individual dos jogadores

A renovação de contrato de Francesco Farioli não foi a única notícia de relevo que o dia de domingo trouxe ao universo azul e branco. Além da prorrogação do vínculo do treinador italiano, a equipa técnica por ele liderada recebeu um novo adjunto: Felipe Sánchez, espanhol, de 39 anos, e velho conhecido do homem do leme do FC Porto.

Francesco e Felipe conheceram-se no processo formativo de ambos, na Aspire Academy, do Qatar. Posteriormente, trabalharam juntos no Karagumruk, Alanyaspor, Nice e Ajax. Os caminhos de ambos separaram-se no final da última época, quando o adjunto recebeu uma chamada de Erik Bretos, diretor desportivo da Real Sociedad e amigo de longa data, que o seduziu a juntar-se ao projeto do emblema basco. Contudo, Felipe Sánchez não deixou de ser um dos homens de confiança de Farioli e, meia época volvida, voltou a juntar-se ao transalpino, desta feita no Dragão. Mas, afinal, quem é o novo elemento do staff técnico do FC Porto?

Nascido a 21 de abril de 1986 em Granja de Torrehermosa, na região da Extremadura, Felipe Sánchez cresceu a ver a Dream Team do Barcelona, orientada por Johan Cruyff, com estrelas como Laudrup, Stoichkov e... Guardiola, entre tantos outros. Cedo percebeu que era pelo caminho do treino que queria enveredar, mas o pai colocou-lhe uma exigência: «Primeiro, tens de tirar um curso». A revelação foi feita pelo próprio técnico, numa entrevista recente ao Noticias de Gipuzkoa.

Felipe Sánchez (à esquerda) já esteve na renovação de contrato de Farioli - Foto: FC PORTO

«Soube desde pequeno que queria ser treinador, mas, quando comentei isso em casa, o meu pai disse que primeiro tinha de tirar um curso. Como sabia que não ia dar jogador, acreditava em duas vias para chegar ao mundo do futebol: as ciências do desporto e o jornalismo. Optei pela segunda via e, durante a licenciatura, consegui tirar o curso de treinador», explicou.

Entrou na Universidade de Navarra, em Pamplona, e seguiram-se os primeiros passos no Osasuna, na equipa de sub-19 e nos bês, tinha Felipe «vinte e poucos anos». Seguiu-se a tal ida para o Qatar e, antes de se juntar a Farioli, uma passagem pelo Equador, integrando o staff de Miguel Ángel Ramírez no Independiente del Valle. E é aí que damos conta de uma coincidência curiosa. No mínimo. No clube equatoriano, o novo adjunto do FC Porto trabalhou com... Martín Anselmi (também na função de adjunto), nada mais, nada menos do que o antecessor de Farioli no clube azul e branco.

A partir daí, como diz a sabedoria popular, o resto é história. A amizade entre Francesco e Felipe ganhou forma na Aspire Academy, o contacto não se perdeu e o espanhol aceitou o desafio que o italiano lhe propôs, em 2020/21, nos turcos do Karagumruk. Seguiram-se outros três clubes, sempre juntos, até ao regresso de Sánchez à pátria mãe.

Farioli e Felipe Sánchez já trabalharam juntos no Karagumruk, Alanyaspor, Nice e Ajax. Agora, reencontram-se no FC Porto

A separação foi de curta duração. O novo treinador-adjunto do FC Porto, que se junta a Dave Vos, Lino Godinho, Lucho González e André Castro na função, volta a ser braço direito de Farioli. Avesso a dividir as responsabilidades de uma equipa técnica por 'caixas', Felipe Sánchez gosta de pautar o seu trabalho pela abrangência, mas, ao longo da carreira, tem-se focado mais no desenvolvimento individual dos jogadores.

Enquanto elemento do corpo liderado por Farioli, o espanhol também esteve a cargo de aprofundar a análise tática, em articulação constante com o analista Osman Kul. Numa perspetiva mais emocional, Sánchez não esconde uma faceta vibrante, tão caraterística dos latinos. «Nos Países Baixos, as pessoas são muito calmas, muito educadas. E eu, durante o jogo, sinto um fogo e começo a olhar para o quatro árbitro, mas controlo-me. [risos] Faz parte do jogo. Sou genuíno, não finjo», assinalou, em entrevista aos canais do Ajax, há sensivelmente um ano. Na mesma conversa, elogiou o líder: «Sentes a energia e a paixão do Francesco. Não importa o dia, se é tarde, ele está ali a dar o melhor e a puxar-nos com ele. Vemos o jogo com os mesmos olhos e isso é algo que não é fácil encontrar numa equipa técnica. Ou seja, não é fácil juntar no mesmo ambiente tanta gente que vê o jogo da mesma forma. E isso é mesmo especial», afirmou.

No FC Porto, particularmente durante os jogos, Felipe Sánchez estará mais dedicado à parte da análise tática, pelo que não ocupará lugar no banco. Esta quarta-feira, já estará em funções no clássico com o Benfica.