Déjà Vu ou apenas coincidência?
O FC Porto ainda só dominava. Não vencia, mas tomava de assalto a defesa que Vítor Pereira montara para o Dragão. Parecia apenas uma questão de tempo até à primeira explosão de alegria.
Fazendo contas ao sistema, reparei que Bakwa, extremo feito ala talvez um pouco à pressão, desalinhara com o resto da defesa, mesmo tendo Borja Sainz, colado à linha nas suas costas. E a atitude era despreocupada, como se não estivesse a ver o que se passava perto de si. À direita, Ndoye também não era muito preciso no posicionamento. Era a olho, sem regra e esquadro, mas não justificava tudo. Ao juntar-lhe aquele quadrado lento a desfazer para transformar o 3x4x3 no 5x4x1, por vezes 6x3x1, senti-me suficientemente convencido para me virar para o meu filho mais novo e dizer-lhe: «Está fácil para o FC Porto.» No relvado, assistia-se a uma mutação imperfeita, que transformava os três centrais em três defesas esticados à largura e abria dois corredores enormes até à baliza.
Vítor Pereira mudou 9 a pensar na Premier e ofereceu aos dragões a primeira parte. O 1-0 chegou com naturalidade, no entanto, o mesmo não se pode dizer do que aconteceu a partir do autogolo. O momento infeliz de Martim, não provocado, fez abanar o líder do campeonato, no qual este vivera, diante do Famalicão, uma montanha russa de emoções, sobretudo com o golo ao cair do pano que trouxe o Sporting para mais perto e diminuiu a margem de erro a praticamente zero. Repito: a equipa azul e branca sentiu um golo que o adversário nada tinha feito para merecer e bloqueou.
Depois do 1-1, desapareceu de campo até ao regresso dos balneários. Já o Forest voltou estabilizado. Vítor Pereira devolveu depois alguns titulares ao conjunto e as dificuldades aumentaram. Mesmo que William Gomes, Froholdt, Gul e outros tenham rondado a baliza do excelente Stefan Ortega, as oportunidades não foram assim tantas quanto Farioli e os jogadores deixaram transparecer no final. Não era um adversário qualquer, mas algo se passou que tirou aos azuis e brancos o momento. Algo inexplicável. Quase de certeza emocional.
Enquanto Farioli não matar o fantasma vai ter de viver com ele. A pressão aumentará a cada jornada e terá de aguentá-la até que possa festejar, ainda que veja mais brechas a surgir. Físicas, mas também do foro psicológico. O cansaço é grande. Não posso jurar, mas quase que aposto que o duplo-abanão já deixou todos em alerta em Alvalade.