Adam Silver Fotografia NBAE

Conheça as três propostas da NBA para combater quem perde de propósito

Liga não quer deixar que o problema cresça muito mais para além do que tem escandalosamente acontecido, cada vez com mais equipas a apostarem em não ganhar, colocando alguns jogadores de baixa e mandando-os fazer operações e tratamentos que poderiam acontecer no defeso

Como é sabido, a NBA está a estudar novas medidas para combater o tanking, prática de perder jogos propositadamente para aumentar a probabilidade de obter uma melhor posição no draft no final da época. Opção que tem vindo a crescer entre várias equipas mais fracas da Liga, que estão em reestruturação ou que nessa temporada, devido a lesões de principais figuras, perderam aspirações no play-off. Assim, segundo o canal desportivo ESPN, foram apresentadas três propostas distintas na mais recente reunião do Conselho de Governadores da Liga, na sequência de uma promessa feita pelo commissioner Adam Silver.

Na quarta-feira, depois de ter sido votada por unanimidade a abertura à expansão de 30 para 32 clubes e a possível entrada das cidades de Seattle e Las Vegas para a NBA, Silver tinha sido categórico ao abordar o tema com os jornalistas, afirmando que a Liga iria «resolver isto. Ponto final». As propostas agora em cima da mesa representam a primeira tentativa concreta de cumprir essa promessa.

A primeira sugestão envolve uma lotaria do draft com 18 equipas. Este modelo incluiria as 10 equipas que não conseguiram o acesso ao torneio play-in e as oito que nele participam. As 10 piores teriam probabilidades iguais de vencer a lotaria (sorteio para o draft), enquanto as restantes oito teriam as suas hipóteses distribuídas por ordem decrescente de classificação.

A segunda proposta avançada por Silver é mais abrangente, alargando a lotaria a 22 clubes. Além das 18 equipas do primeiro modelo, seriam adicionadas as quatro equipas eliminadas na primeira ronda do play-off. Neste cenário, a classificação das equipas na lotaria seria baseada no seu registo combinado das duas últimas épocas, sendo sorteadas as quatro primeiras escolhas.

Por fim, a terceira opção regressa a um formato de 18 clubes, mas com uma estrutura diferente. As cinco equipas com os piores registos teriam as mesmas probabilidades. Seria realizado um sorteio para as cinco primeiras escolhas do draft, seguindo-se uma segunda lotaria para as restantes 13. Um mecanismo de segurança garantiria que qualquer uma das cinco piores equipas que não conseguisse uma escolha no top-5 ficaria, no mínimo, com uma escolha no top-10.

Nenhuma destas propostas é final, esperando-se que sejam refinadas antes de serem submetidas a votação em maio. Apesar do foco em erradicar o tanking, o próprio Adam Silver reconheceu a complexidade do problema.

«Existe um aspeto da construção de uma equipa que é chamado de reconstrução genuína, uma reconstrução com integridade. O problema que temos hoje em dia é que se tornou quase impossível distinguir entre o tanking e a reconstrução», explicou.

Recorde-se que várias equipas têm enfrentado acusações de tanking nas últimas épocas. Em fevereiro, os Jazz e os Pacers foram mesmo multados pela liga por comportamento «flagrante» de tanking. Os Jazz já tinham sido sancionados por suspeitas semelhantes na temporada anterior. Os próprios campeões Thunder, que conseguiram construir um plantel jovem, forte e prometedor, fizeram-no em grande a partir do draft, mas depois de terem andado a apostar no tanking.