Barkley defende que umas boas palmadas ajudam a educar e evitar «miúdos mimados»
A antiga estrela da NBA, Charles Barkley, hoje em dia comentador não só de jogos da Liga, mas também da NCAA e da NHL (hóquei no gelo), gerou controvérsia ao defender o uso de palmadas como método disciplinar para crianças, afirmando que acredita na sua eficácia para evitar que se tornem «mimadas».
Durante a sua habitual participação no podcast The Dan Patrick Show, o ex-basquetebolista de 63 anos, pai de uma filha já adulta, Christiana, partilhou a sua opinião sobre o polémico tema. Barkley distinguiu claramente a sua posição do abuso infantil, enquadrando as palmadas como uma forma de «disciplina».
«Acredito na disciplina. Não ando por aí a dizer às pessoas para baterem nos filhos», afirmou Barkley ao anfitrião Dan Patrick. «Mas penso que se não dermos palmadas e não disciplinarmos os nossos filhos, eles transformam-se nalguns destes miúdos mimados que temos hoje. Não defendo o abuso infantil. Mas como é que as crianças vão saber que estão a fazer algo de errado?», acrescentou.
Consciente de que as declarações poderiam causar reações negativas, especialmente nas redes sociais, o antigo extremo/poste 11 vezes All-Star mostrou-se, como é habitual, indiferente a possíveis críticas.
«Podem arrasar-me nas redes sociais. Vocês sabem que eu não uso redes sociais», declarou. «Nunca leio comentários nenhuns. Não quero saber do que vocês pensam. Podem todos beijar o meu grande rabo preto. Vou dizer o que tenho a dizer. Alguns de vocês vão gostar. Outros não. E hão de superar isso.»
A posição do ex-jogador dos 76'ers, Suns e Rockets, clubes por onde passou numa impar carreira de 16 temporadas que lhe permitiu entrar para o Hall of Fame do basquetebol e integrar o famoso Dream Team que conquistou o ouro nos Jogos de Barcelona 1992, contrasta diretamente com as recomendações da Academia Americana de Pediatria (AAP). Num comunicado de 2019, a organização opôs-se veementemente ao uso de castigos corporais, alertando para uma «forte associação entre dar palmadas nas crianças e resultados adversos subsequentes».
As diretrizes da AAP, que reforçaram uma posição inicial de há 20 anos, detalham os riscos por faixa etária. Em crianças com menos de 18 meses, por exemplo, o risco de lesões físicas é maior, o que pode levar a problemas de saúde mental no futuro. O comunicado refere ainda que as palmadas podem fomentar uma relação agressiva e conflituosa entre pais e filhos, e levar a consequências semelhantes às observadas em vítimas de abuso físico.
Como alternativa, a AAP sugere que «a melhor maneira de melhorar o comportamento é dar muita atenção às crianças quando estão a fazer algo que gostamos e retirar a nossa atenção quando estão a fazer algo de que não gostamos».