Orri Thorkelsson marcou sete dos seus 11 golos na 1.ª parte      Fotografia Sporting CP
Orri Thorkelsson marcou sete dos seus 11 golos na 1.ª parte Fotografia Sporting CP

Clássico na Dragão Arena terminou com cheiro a tri

Sporting deu passo decisivo para manter o título de campeão nacional numa partida nem sempre bem jogada, mas que criou expectativa, sobretudo na 2.º parte, quando o FC Porto equilibrou, chegou a estar na frente uma vez, até deitar tudo a perder aos sofrer um parcial de 0-5 em 7.30m. Mas antes de tudo começar, com atraso, temeu-se não haver embate devido a queixas dos leões com cheiro agressivo no balneário, o que os donos da casa negaram

Esperava-se um Clássico de emoções na Dragão Arena, com o Jogo 1 da fase final do Campeonato Andebol1 entre FC Porto e Sporting a poder dar a hipótese dos lisboetas praticamente, mas não matematicamente, embalarem para o ansiado tri. Ou então os donos da casa infligir-lhes o primeiro desaire da temporada em competições nacionais e manterem a expectativa quanto ao título. No entanto, os adeptos, que olhavam impacientemente para o relógio nas bancadas, tiveram que aguardar, tranquilamente, por 18 longos minutos para que tudo começasse.

Isto porque, o início da partida havia sido atrasado 15m devido aos responsáveis dos campeões se terem queixado, à chegada ao pavilhão, de cheiro intenso no balneário (lixívia ou algo tóxico), o que obrigou o plantel a equipa-se num corredor fora das cabinas, enquanto o treinador Ricardo Costa e o pivô Christian Moga foram assistidos. Primeiro com a chamada uma ambulância por indicação da equipa médica do clube e mais tarde transportados para o hospital para serem observados.

Segundo contado a A BOLA, mais jogadores dos verdes e brancos sentiram-se indispostos e os delegados ao encontro terão descrito o cheiro como ‘adormecedor’. e a delegada que entrou no balneário também terá sido assistida pelos bombeiros.

Moga acabou por não alinhar e o nome de Ricardo Costa não foi sequer inscrito no boletim de jogo, assumindo o adjunto Ricardo Candeias a posição de técnico principal.

Quanto ao Clássico em si, onde os jogadores não complicaram onde não havia que complicar e todos souberam trazer emoção e expectativa até quase 2m do apito final, o Sporting venceu por 30-33 (16-19 ao intervalo) e deu um passo decisivo para a concretização do terceiro tri do seu historial, que conta com 23 títulos de campeão.

Os leões somam agora 36 pontos, contra 30 dos nortenhos, e podem perder dois dos cinco jogos que têm pela frente até à derradeira partida 6 frente ao Benfica, a 23 de maio, e ainda assim segurar a liderança. Até porque, em caso igualdade pontual, o que desempata é a classificação da primeira fase, da qual saíram imaculados (22 v-0 d).

Note-se que os verdes e brancos só concretizaram por duas vezes o tricampeonato (1968/69-1972/73), a última entre 1977/78 e 1980/81 na caminhada para o segundo tetra do seu palmarés. Na história da modalidade, o tri aconteceu em nove ocasiões e o último a consegui-lo foi o FC Porto (2020/21-2022/23).

Quanto ao jogo em si, os visitantes entraram mais eficazes e cedo ganharam a vantagem de 1-4 e 4-7 com o islandês Orri Thorkelsson que marcou 7 dos seus 11 golos no 1.º tempo a estar assertivo na finalização, ao qual se juntou Francisco Costa (8), também com 7 golos até ao descanso, a serem dos principais responsáveis por os dragões nunca terem liderado na 1.ª parte.

E se os da casa não foram além da diferença de um golo por três ocasiões (4-5, 13-14 e 14-14), tal também se deveu à ação de Mohamed Aly na baliza. Exibição que voltaria a ser importante nos derradeiros minutos.

Depois da desvantagem de 8-12 e de terem perdido Daymaro Salinas com um vermelho por ter atingido a cara de Kiko Costa, a defesa subida do FC Porto e Antonio Martinez (5) e Rui Silva (5) construíram um parcial de 4-1 (13-14) que relançou a esperança no equilíbrio, mesmo com Kiko a marcar três golos num parcial e 2-4 (19-19) com que os forasteiros fecharam a 1.ª parte.

Até então havia-se assistido a um domínio dos leões, mas com ambos os conjuntos à procura das falhas técnicas ou distrações para lançarem ataques rápidos ou contra-ataques. Daí para a frente muito mudou. Os donos da casa melhoraram a defesa, aproveitaram alguma quebra do adversário e o jogo conheceu nove igualdades entre o 20-20 até aos 28-28, com as equipas a terem maiores dificuldades em montarem as suas tácticas e finalizaram com sucesso em ataques consecutivos e sempre muito prolongados e os portistas a liderarem uma vez aos 26-25. 

Foi então que, Francisco Costa fez o 28-29 a 8m do fim, e após um desconto de tempo de Ricardo Candeias, os campeões constituíram um decisivo parcial de 0-5 (28-33) que secou o FC Porto e até permitiu abdicarem de atacar e defender nos últimos 30s.  

Quase dois anos sem perder

Foi a quinta vez que FC Porto e Sporting se encontraram esta temporada e a terceira na Dragão Arena. O desfecho foi sempre igual, vitória dos verdes e brancos: na Supertaça, 36-29; 4.ª jornada, 30-29; 15.ª jornada, 32-36; e oitavos de final da Taça de Portugal, 35-40.  

A última vitória dos azuis e brancos sobre os leões aconteceu para o campeonato de 2023/24, na Dragão Arena, no Jogo 3 da 2.ª fase (37-35) disputado a 27 de abril. Acabaria por ser o único desaire dos sportinguistas nesse campeonato, incluindo a fase regular.