Clássico na Dragão Arena terminou com cheiro a tri
Esperava-se um Clássico de emoções na Dragão Arena, com o Jogo 1 da fase final do Campeonato Andebol1 entre FC Porto e Sporting a poder dar a hipótese dos lisboetas praticamente, mas não matematicamente, embalarem para o ansiado tri. Ou então os donos da casa infligir-lhes o primeiro desaire da temporada em competições nacionais e manterem a expectativa quanto ao título. No entanto, os adeptos, que olhavam impacientemente para o relógio nas bancadas, tiveram que aguardar, tranquilamente, por 18 longos minutos para que tudo começasse.
Isto porque, o início da partida havia sido atrasado 15m devido aos responsáveis dos campeões se terem queixado, à chegada ao pavilhão, de cheiro intenso no balneário (lixívia ou algo tóxico), o que obrigou o plantel a equipa-se num corredor fora das cabinas, enquanto o treinador Ricardo Costa e o pivô Christian Moga foram assistidos. Primeiro com a chamada uma ambulância por indicação da equipa médica do clube e mais tarde transportados para o hospital para serem observados.
Segundo contado a A BOLA, mais jogadores dos verdes e brancos sentiram-se indispostos e os delegados ao encontro terão descrito o cheiro como ‘adormecedor’. e a delegada que entrou no balneário também terá sido assistida pelos bombeiros.
Moga acabou por não alinhar e o nome de Ricardo Costa não foi sequer inscrito no boletim de jogo, assumindo o adjunto Ricardo Candeias a posição de técnico principal.
Quanto ao Clássico em si, onde os jogadores não complicaram onde não havia que complicar e todos souberam trazer emoção e expectativa até quase 2m do apito final, o Sporting venceu por 30-33 (16-19 ao intervalo) e deu um passo decisivo para a concretização do terceiro tri do seu historial, que conta com 23 títulos de campeão.
Os leões somam agora 36 pontos, contra 30 dos nortenhos, e podem perder dois dos cinco jogos que têm pela frente até à derradeira partida 6 frente ao Benfica, a 23 de maio, e ainda assim segurar a liderança. Até porque, em caso igualdade pontual, o que desempata é a classificação da primeira fase, da qual saíram imaculados (22 v-0 d).
Note-se que os verdes e brancos só concretizaram por duas vezes o tricampeonato (1968/69-1972/73), a última entre 1977/78 e 1980/81 na caminhada para o segundo tetra do seu palmarés. Na história da modalidade, o tri aconteceu em nove ocasiões e o último a consegui-lo foi o FC Porto (2020/21-2022/23).
Quanto ao jogo em si, os visitantes entraram mais eficazes e cedo ganharam a vantagem de 1-4 e 4-7 com o islandês Orri Thorkelsson que marcou 7 dos seus 11 golos no 1.º tempo a estar assertivo na finalização, ao qual se juntou Francisco Costa (8), também com 7 golos até ao descanso, a serem dos principais responsáveis por os dragões nunca terem liderado na 1.ª parte.
E se os da casa não foram além da diferença de um golo por três ocasiões (4-5, 13-14 e 14-14), tal também se deveu à ação de Mohamed Aly na baliza. Exibição que voltaria a ser importante nos derradeiros minutos.
Depois da desvantagem de 8-12 e de terem perdido Daymaro Salinas com um vermelho por ter atingido a cara de Kiko Costa, a defesa subida do FC Porto e Antonio Martinez (5) e Rui Silva (5) construíram um parcial de 4-1 (13-14) que relançou a esperança no equilíbrio, mesmo com Kiko a marcar três golos num parcial e 2-4 (19-19) com que os forasteiros fecharam a 1.ª parte.
Até então havia-se assistido a um domínio dos leões, mas com ambos os conjuntos à procura das falhas técnicas ou distrações para lançarem ataques rápidos ou contra-ataques. Daí para a frente muito mudou. Os donos da casa melhoraram a defesa, aproveitaram alguma quebra do adversário e o jogo conheceu nove igualdades entre o 20-20 até aos 28-28, com as equipas a terem maiores dificuldades em montarem as suas tácticas e finalizaram com sucesso em ataques consecutivos e sempre muito prolongados e os portistas a liderarem uma vez aos 26-25.
Foi então que, Francisco Costa fez o 28-29 a 8m do fim, e após um desconto de tempo de Ricardo Candeias, os campeões constituíram um decisivo parcial de 0-5 (28-33) que secou o FC Porto e até permitiu abdicarem de atacar e defender nos últimos 30s.
Quase dois anos sem perder
Foi a quinta vez que FC Porto e Sporting se encontraram esta temporada e a terceira na Dragão Arena. O desfecho foi sempre igual, vitória dos verdes e brancos: na Supertaça, 36-29; 4.ª jornada, 30-29; 15.ª jornada, 32-36; e oitavos de final da Taça de Portugal, 35-40.
A última vitória dos azuis e brancos sobre os leões aconteceu para o campeonato de 2023/24, na Dragão Arena, no Jogo 3 da 2.ª fase (37-35) disputado a 27 de abril. Acabaria por ser o único desaire dos sportinguistas nesse campeonato, incluindo a fase regular.