«Chamaram-me macaco por falhar um penálti, quis deixar a seleção»
Numa conversa descontraída com Achraf Hakimi, Tchouaméni e o comediante Malik Bentalha, Kylian Mbappé abordou vários temas, desde o racismo que sofreu após o Euro 2020 (disputado no ano seguinte devido à pandemia de Covid-19) até à sua faceta defensiva no Real Madrid e a peculiar história da sua carta de condução.
Um dos momentos mais marcantes da conversa foi a recordação do período após falhar o penálti decisivo contra a Suíça no Euro 2021, que ditou a eliminação de França. «Queria deixar a seleção francesa», revelou Mbappé. «Dei-me conta de que tinha colocado a França muito, muito no topo das minhas prioridades, mas assim que falhei, muita gente começou a chamar-me macaco e a insultar-me. E perguntei-me: são estas as pessoas por quem luto em campo?»
Depois de empate a três golos, num dos melhores jogos da competição, os franceses foram eliminados pelos suíços nas grandes penalidades (4-5), falhando a passagem aos quartos de final.
O jogador descreveu as férias que se seguiram como as de «um morto-vivo», admitindo a dureza do golpe. «Caí de muito alto, porque o meu primeiro torneio com a França foi o Mundial de 2018, ganhei-o, era uma espécie de herói nacional, era muito jovem. E no torneio seguinte levas com isso na cara. É duro». A sua intenção de abandonar a seleção foi travada pelo presidente da Federação Francesa, que, entre risos, lhe disse: «Acreditas mesmo que te vou deixar sair deste escritório?».
Mbappé acabou mesmo por não avançar com essa decisão drástica e, por isso, estará a liderar a França, uma das principais favoritas à conquista do próximo Mundial.