Casa Pia acusado de violar sanções europeias por transferência para a Rússia
O Casa Pia foi acusado pelo Ministério Público de ter violado sanções da União Europeia (UE) pela transferência de Felippe Cardoso para o FC Akhmat, clube detido por Razman Kadyrov, presidente da Tchetchénia e aliado de Vladimir Putin. De acordo com o despacho, revelado na manhã desta sexta-feira pelo Público, o CEO da SAD lisboeta, Tiago Lopes, também é arguido.
Em causa estará uma manobra para contornar as sanções impostas pela UE a vários players russos na sequência da invasão à Ucrânia. A transferência, de €1,5 milhões, em julho de 2024, terá sido feita através de uma forma a esconder ao banco Montepio a origem do clube.
Segundo revela o diário, quer o Casa Pia quer Tiago Lopes estavam conscientes de que o negócio representava uma violação direta das sanções. Em agosto de 2025, os casapianos terão sido informados de que o pagamento da transferência (€1 milhão na primeira tranche, €500 mil na segunda) seria feito por uma outra empresa que não o FC Akhmat. Tratou-se da Limited Liability Company Sila Marketing, com sede nos Emirados Árabes Unidos.
Na acusação é recordado que o esquema foi descrito em emails trocados entre as partes, pelo que o Casa Pia estaria a par da ilegalidade em que incorria. É por esse motivo que tanto a SAD como Tiago Lopes estão acusados de três crimes: um de violação de medidas restritivas, um de branqueamento e um de falsificação ou contrafação de documento.
Clube nega
Em resposta ao Público, o Casa Pia defende-se, afirmando que atuou de «boa fé». «O FC Akhmat não é uma sociedade sancionada pela União Europeia nem existem indícios juridicamente sólidos de que esteja controlado por qualquer pessoa abrangida por medidas restritivas europeias», foi a resposta, confiando os gansos que a acusação é «infundada» e confia na sua «não pronúncia».
Felippe Cardoso acabou por fazer apenas 17 jogos (2 golos) no FC Akhmat e transferiu-se em 2025 para o FC Henan, da China, cujo treinador é o português Daniel Ramos.
Já na manhã desta sexta-feira, fonte do Casa Pia garantiu a A BOLA que o clube está «de consciência tranquila» relativamente a este processo.