Rui Borges está confiante em nova reviravolta em jogos da Liga dos Campeões - Foto: Miguel Nunes
Rui Borges está confiante em nova reviravolta em jogos da Liga dos Campeões - Foto: Miguel Nunes

Cabeça levantada, esperança e apoio em Londres: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do Sporting lamentou «pequena desatenção» no lance do golo do Arsenal, mas deposita grandes esperanças na reviravolta no encontro em Londres

Rui Borges surgiu na sala de imprensa do Auditório Artur Agostinho no Estádio José Alvalade de cabeça bem erguida, tal como a equipa saiu de campo, apesar da derrota diante do Arsenal (0-1), salientando que a equipa leonina nunca perdeu a identidade e que, em Londres, tudo pode acontecer.

- Termina hoje a maior série de vitórias consecutivas em Alvalade, o que é que isso significa? O facto de o guarda-redes Raya ter sido considerado o melhor em campo pela UEFA é o espelho do que o Sporting fez?

- As 17 vitórias, já respondi, é mais pela equipa, pelos jogadores, merecem esse reconhecimento, merecem esse mérito, porque é um grupo fantástico, é um grupo que merece ir marcando a história do Sporting de todas as maneiras. Um dia esse número será batido de alguma forma, com toda a certeza. Por isso, deixa-nos felizes, é sinal de que o trabalho é bem feito, é sinal que Alvalade, cada vez mais, é uma fortaleza, e que assim continua. Em relação ao jogo, foi um jogo equilibrado. O Raya ter sido o melhor em campo dita muito isso, até porque o Arsenal, tirando na primeira parte o lance em que a bola foi à barra, tem depois um remate aqui antes do golo, à figura do Rui. Nós temos três oportunidades claras de golo, onde o Arsenal faz três boas defesas. E dita bem o equilíbrio, porque o jogo foi equilibrado, em 54 ou 56 por cento de posse. Mostra bem aquilo que foi o equilíbrio. Acaba por ser frustrante porque não merecíamos sair com a derrota, por tudo que fomos capazes de fazer ao longo do jogo, mas o futebol é isto. Já ganhámos aos 91, hoje perdemos, é levantar a cabeça e acreditar que se há grandes desafios é para esta equipa e em Londres vamos tentar algo inédito, é mais um grande desafio, onde acredito que estaremos à altura e onde daremos uma boa resposta.

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- Ter sido um jogo tão equilibrado permite-lhe ter confiança intacta para o encontro da segunda mão? No final abraçou Gyokeres, o que lhe disse?

- Perguntei-lhe pela família e se estava bem. Disse-lhe que estava feliz por ele, acho que é alguém que merece o reconhecimento de todos os sportinguistas, e de nós também, ajudou-me imenso a ser campeão nacional, é um jogador que marcará a história, marcou a história do campeonato português e do Sporting em si, é um lugar onde será sempre muito bem-vindo. Esperança intacta... Sim, claramente. Sabemos da dificuldade, sabemos que é uma grande equipa, vai jogar em casa, mas, como já disse, se há grandes desafios é para a nossa equipa. E eles gostam desses grandes desafios, por isso, acredito muito que daremos uma boa resposta em Londres e temos muita esperança de manter a eliminatória aberta até o final.

- Por que é que só fez duas substituições? Em Londres tendo Hjulmand e eventualmente Quenda para lançar o Sporting pode acrescentar algo mais, tem mais capacidade para ferir o Arsenal?

- Fiz duas substituições porque achei que não tinha necessidade de fazer mais. Apenas e só isso, porque o jogador dentro daquilo que eram as características que tínhamos para acrescentar dentro do campo, não achava ou não achei que fossem as características que eram necessárias para o momento em si. Tínhamos médios, defesas, tínhamos o Faye, é certo, mas não quem desse alguma velocidade, só o Faye, lançámos o Nel para refrescar. Mas, acredito que íamos perder muito naquilo que era o confronto físico, porque o Arsenal estava muito homem a homem quando acionava a pressão, então tentei não mexer nesse aspecto. O Morita fez um grande jogo, estava a dar-nos essa tranquilidade com bola, não fazia sentido tirar o Morita e meter o Zeno [Debast]. São diferentes em termos de características também, íamos, se calhar, perder mais clareza naquilo que era com bola e precisávamos dela. O Dani [Daniel Bragança] também já foi nessa perspectiva. Dentro daquilo que eram as soluções que tínhamos, achei que eram só as duas substituições que faziam sentido.

- Na antevisão a este jogo disse que a Champions do Sporting é o campeonato. Tendo em conta o calendário, com jogos frente a Arsenal, Benfica e FC Porto, como encara o jogo da 2.ª mão dos quartos de final da UEFA Champions League?

- Vocês já me conhecem, não gosto de pensar muito à frente. Eu percebo isso e é natural que façam essa pergunta, porque claramente os desafios que temos pela frente são de grau de exigência grande e seguidos. Mas, o meu problema agora chama-se Estrela da Amadora. Não adianta estar a pensar no Arsenal ou no Benfica ou no FC Porto, tenho de ir à amadora, um campo difícil. Esse é o meu problema atual e não gosto de pensar à frente. Temos tantos dias até ao Arsenal, tantos dias até ao Benfica, tantos dias até o FC Porto, muda-se tanta coisa da noite para o dia. Lesões, doenças, já aconteceu... Há muitas variáveis, por isso, gosto de pensar no momento em si, no presente, e o presente é o Estrela.

- Apesar da derrota a confiança dos adeptos mantém-se intacta. Acreditam que o Sporting pode ser campeão nacional pode eliminar o Arsenal, como vê isso? A sua frase mais marcante foi 'quando faltar inspiração que não falte atitude', qual o mote para o jogo em Londres?
 
- Não há palavras para descreverem o que foi o sentimento de energia e apoio que nos deram de início ao fim. Nesta parte final, já depois do final do jogo, sentir o estádio e todos a dar o apoio e carinho aos jogadores é importante para eles, é o reconhecimento de que fizeram as coisas bem feitas, perdemos com uma pequena desconcentração, faz parte, contra uma grande equipa, mas batemo-nos om os melhores da Europa. É isso que dizemos e queremos, batermo-nos com os melhores e isso fizemos muito bem feito. Num pequeno momento de desconcentração, como disse, já nos aconteceu ao contrário, ganhámos nós aos 91, faz parte, é saber lidar e levantar a cabeça, mas demonstra bem aquilo que foi o equilíbrio da eliminatória e o reconhecimento. Os jogadores tiveram atitude, tiveram coragem, tiveram qualidade e esta equipa está para grandes desafios, tal como aos adeptos, acreditamos muito que em Londres vamos dar uma boa resposta.

- Acredita que o Sporting de Rui Borges pode fazer o mesmo do que o Sporting de e Ruben Amorim?

- O Sporting pode fazer o que é o sporting, não é um treinador, é o Sporting, é um clube que acredita e não é mais ninguém. O Sporting do Rui Borges também já fez coisas que ninguém fez, é tão simples quanto isso, mas não é aquilo que o Rui Borges faz que está em causa. É o Sporting que me importa, a equipa já demonstrou ter capacidade para um desafio desta exigência. Acima de tudo respeitamos quem está do outro lado, percebemos a exigência, temos de ser uma equipa muito equilibrada, dentro da atitude e dentro da qualidade, para conseguir levar de vencido um grande Arsenal.

- Foi falado o poderio nas bolas paradas, sente que as equipas de arbitragem são permissivas com o que o Arsenal faz, por exemplo na demora na reposição de bola?

- Acredito que em alguns momentos há faltas claras, mas também é um bocado ingrato, nós treinadores estarmos a dizer para marcar ou para não marcar, às vezes dizemos que os árbitros apitam demais, que podiam deixar jogar mais, é um momento muito específico. Nas bolas paradas o Arsenal é uma equipa que tem um poder atlético muito grande, a média de altura é boa, alta, e nos duelos é difícil, mas, disse ontem, acho que eram duas boas equipas em termos de bolas paradas. Estamos no top-10, o Sporting em quarto em cantos. em Portugal estão o Gil e o Estoril e a melhor equipa nas bolas paradas em Portugal é o Sporting e na Europa estamos atrás de Arsenal, Dortmund e Inter, isso diz também muito daquilo que é a nossa qualidade nesse momento do jogo.