Luís Castro, treinador português do Grêmio
Luís Castro, treinador português do Grêmio - Foto: IMAGO

Burlão faz-se passar por Luís Castro para extorquir dinheiro a jogadores do Grêmio

Suspeito foi detido no Rio de Janeiro, esta quarta-feira

Um suspeito foi detido no Rio de Janeiro após usar uma fotografia do treinador português no WhatsApp para solicitar transferências via PIX (equivalente ao Mbway no Brasil), sob o pretexto de doações para um projeto social. A Polícia Civil do Rio Grande do Sul está a investigar um grupo de burlões que se fez passar pelo treinador português do Grêmio, Luís Castro, para aplicar golpes a jogadores do clube através de perfis falsos em aplicações de mensagens.

A investigação, conduzida pela 4.ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, culminou esta quarta-feira na Operação Falso 9, que contou com o apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A ação resultou no cumprimento de um mandado de prisão preventiva e de dois mandados de busca e apreensão na cidade de Itaperuna (RJ). O principal suspeito é investigado pelos crimes de burla informática e usurpação de identidade.

O esquema fraudulento não se limitou ao Grêmio. Foram também identificados como alvos jogadores e personalidades de outros clubes brasileiros, uma equipa do futebol europeu e um artista de renome nacional.

A investigação teve início quando as autoridades foram alertadas para o facto de um suspeito ter contactado quatro atletas do Grêmio através do WhatsApp, usando uma fotografia de Luís Castro no perfil. O burlão chegou a instruir os jogadores a chegarem mais cedo ao centro de treinos no dia seguinte para conversar.

Com uma das vítimas, o falso treinador manteve conversas durante vários dias, mostrando interesse pela sua rotina, família e desempenho desportivo, tecendo elogios à sua dedicação. Numa tentativa de isolar o jogador e evitar que a burla fosse descoberta, pediu-lhe que mantivesse sigilo sobre o contacto.

Posteriormente, o burlão solicitou uma contribuição financeira, alegando que se destinava a apoiar um projeto social no Rio de Janeiro através da doação de cabazes de alimentos. O pedido foi de 300 cabazes, no valor de 12,58 euros cada, totalizando 3.773 euros. A 6 de maio, o suspeito forneceu uma chave PIX, afirmando pertencer à responsável da instituição, e instruiu o atleta a realizar o pagamento.

Uma primeira tentativa de transferência foi bloqueada pelo limite diário da conta bancária do jogador. O burlão reagendou então o pagamento para a manhã seguinte, insistindo no sigilo. No dia seguinte, a transferência foi concluída com sucesso. Para dar credibilidade à fraude, o suspeito enviou uma suposta confirmação de recebimento dos cabazes por parte da instituição.

No mesmo dia, o burlão tentou aumentar o prejuízo. Informou a vítima de que outro jogador, que estaria «fora do Brasil» e impossibilitado de responder devido ao fuso horário, também queria contribuir com 600 cabazes (equivalente a 8.390 euros). Pediu então que o atleta adiantasse esse valor, prometendo um reembolso posterior. Para pressionar a vítima, mencionou a suposta colaboração de outros colegas de equipa. Esta segunda transferência não se concretizou, pois excedeu novamente o limite diário da conta do jogador, pondo fim à sequência de golpes.

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