Kroupi tem-se destacado ao serviço do Bournemouth - Foto: IMAGO

Brilha na Premier, é elegível por Portugal e pode gerar uma guerra entre seleções

Eli Junior Kroupi já marcou oito golos esta época pelo Bournemouth, ao qual está emprestado pelo Lorient, clube do coração da avó Irilda, uma das adeptas icónicas do clube francês

A Federação de Futebol da Costa do Marfim continua a tentar convencer Eli Junior Kroupi, avançado franco-marfinense do Bournemouth, a representar os Elefantes, mas a decisão do jovem de 19 anos permanece incerta. O jogador, nascido e criado em França, encontra-se numa encruzilhada entre a seleção francesa, a Costa do Marfim, país do seu pai, e até Portugal, nacionalidade da mãe e avó.

Atualmente, a França parece estar na dianteira para garantir os serviços do promissor avançado. No entanto, os marfinenses não desistem, apesar de um historial de contactos complicados. Segundo Akassou Ghislain, antigo internacional, as conversas com a família Kroupi começaram há cerca de dois anos, mas não correram bem, tendo sido agravadas por uma polémica nas redes sociais.

O pai do jogador, que também representou os Elefantes no início dos anos 2000, sentiu-se alvo de insultos e decidiu afastar-se da comunicação social. Contactado a 10 de fevereiro de 2026, quebrou o silêncio para esclarecer a sua posição e desmentir rumores, como o de ter ignorado Guy Demel num estádio.

«Falei com o Guy Demel ao telefone há um ano, um ano e meio, dois anos... Já não sei bem. Na altura, o meu filho jogava no Lorient. Foi só isso. Portanto, o que se diz nas redes sociais, que vi o Guy num estádio e o ignorei... Isso não é verdade», afirmou o pai de Kroupi.

Este sublinhou a complexidade da situação familiar e a sua recusa em influenciar a decisão do filho, preferindo manter o seu papel de pai em vez de se tornar seu agente.

«As pessoas não se podem esquecer que o Eli Junior tem três nacionalidades. A mãe dele é portuguesa, eu sou marfinense e ele é francês. É delicado», explicou. «Joguei pelo meu país, a Costa do Marfim, com os Elefantes. Mas foi noutra era. Essa é a minha história. Para ele, é diferente. Até a escolha de sair do Lorient para ir para Inglaterra foi ele que a fez, não eu. É a história dele, é a decisão dele. Eu acompanho-o como pai.»

O pai do avançado do Bournemouth reforçou que não pode pressionar o filho a escolher a Costa do Marfim, um país que o jovem «não conhece», temendo que uma eventual experiência negativa pudesse recair sobre si. «Quero manter este lugar de pai. E é isso que as pessoas têm de compreender», concluiu.

Apesar do impasse, uma recente conversa entre o pai de Kroupi e o presidente da FIF, Yacine Idriss Diallo, parece ter aberto uma porta. «Tive uma conversa com o presidente da Federação, trocámos impressões. Correu bem», revelou o pai. O próprio presidente confirmou os contactos, mas optou pela discrição: «Prefiro não fazer alarido. Opero assim. Estamos a acompanhar este processo, mas não queremos falar sobre ele.»

Para muitos observadores, a integração de Kroupi seria uma mais-valia para a seleção marfinense. Noël Boli, comentador da televisão pública do país, destaca as qualidades únicas do jovem.

«O treinador procura o jogador que se destaca do que já temos, e este jovem Eli Kroupi, de 19 anos, destaca-se completamente. Tem muita técnica, boa leitura de jogo e finaliza bem», analisou.

A avó Irilda é uma das adeptas mais famosas do Lorient, clube que sempre apoiou. Os seus quatro filhos, entre os quais Sandrine, a mãe de Kroupi, nasceram todos em França. Resta saber se a Federação Portuguesa de Futebol o tem como alvo para jogar pela Seleção Nacional. Até aqui representou os Bleus nos sub-16, sub-17, sub-18, sub-19, sub-20 e sub-21.

Enquanto se aguardam as próximas datas FIFA, o debate sobre o futuro internacional de Eli Junior Kroupi continua ao rubro.