Brigada de intervenção rápida em passo importante para o título (crónica)
O FC Porto deu um passo porventura decisivo para o título nacional ao resolver de forma prática, rápida e assertiva, na Amoreira, aquele que se afigurava como o jogo teoricamente mais difícil para os azuis e brancos do que resta do campeonato.
A entrada do líder foi fortíssima. Com aquele que em tese será o melhor onze e no desenho habitual, Farioli colocou as linhas bem altas e pressionantes, quase asfixiando o Estoril junto à sua área. Os azuis e brancos tinham claramente ordens para jogar simples e o mais direto possível, embora sem faltas de critério. Pietuszewski, pela esquerda, e Pepê, pela direita, estavam endiabrados e perfurantes. Varela segurava as pontas todas do meio-campo, dando liberdade de subida a Froholdt pela meia direita e Gabri Veiga pela meia esquerda.
Deniz Gul pareceu outro, tendo em conta as exibições menos conseguidas das últimas aparições. Aparecia nos sítios certos e ajudava na criação dessa pressão à saída de jogo do Estoril, que na verdade não saía para lado nenhum porque as segundas bolas eram invariavelmente portistas.
Ainda não estava jogado um quarto de hora e já a maioria de adeptos azuis e brancos na Amoreira festejava o primeiro da noite. Após uma boa insistência de Froholdt, Zaidu encontrou Gabri Veiga com um raio de pelo menos dois metros de liberdade à entrada da área, pela esquerda. O espanhol não pensou muito e fez um cruzamento perfeito, rasteiro, para Pepê encostar ao segundo poste.
Logo a seguir Varela quase fazia 2-0, com remate rasteiro a rasar o poste. Deu-se uma reação tímida dos estorilistas, com um cabeceamento frouxo na direção de Diogo Costa, e aos 21 minutos já o FC Porto fazia o segundo, que todavia não valeu por 13 centímetros de adiantamento do pé de Gul. Mais um exemplo do atual fundamentalismo do fora-de-jogo, facilmente mitigável com a proposta de Arsène Wenger de apenas assinalar quando o atacante tem todo o corpo adiantado. Mas a regra é outra, e foi bem aplicada. Na realidade foi apenas questão de esperar mais 11 minutos para o 2-0 valer, desta feita com autogolo de Xeka depois de Froholdt ter cabeceado sozinho na área na sequência de um canto. Se o 8 do Estoril não tivesse desviado, Gul teria feito o golo na mesma.
Na reta final da primeira parte o Estoril esboçou alguma reação, mas ainda assim pertenceu a Pietuszewski a melhor oportunidade antes do descanso.
A segunda parte trouxe um Estoril mais vigoroso, com a devida autorização dos portistas, que também se viram obrigados a desacelerar um pouco. Aos 48 minutos podia ter ficado tudo resolvido, mas Luís Godinho discordou do VAR e não assinalou alegado penálti de Tsoungui sobre Froholdt.
O Estoril ia tentando chegar-se à frente, mas sem perigo de maior. Farioli, que já tinha tirado o amarelado Pietuszewski, jogou três cartadas de uma vez com as entradas de Francisco Moura, Rodrigo Mora e Moffi, mas ainda nem tinha havido tempo para se perceber o efeito da decisão quando Froholdt — o mais consistente e intenso de todos os portistas, claramente de volta aos melhores dias — marcou o 3-0 que sentenciaria o jogo. Foi de novo na sequência de um canto, como o golo anulado a Gul e o autogolo de Xeka, e com Alberto — outra figura muito ativa — a descobrir, na esquerda, o caminho de novo cruzamento rasteiro para junto do segundo poste.
O Estoril ainda reagiu, com mais um golo do valoroso Begraoui, mas a história estava contada e andou-se sempre mais perto do 4-1 que do 2-3. E agora faltam cinco finais... teoricamente mais acessíveis.
Artigos Relacionados: