BMW já pensa no Mundial para lá de 2028 e na renovação com Miguel Oliveira
A BMW dissipou quaisquer dúvidas sobre o seu futuro e não só confirmou a continuidade no Mundial de Superbike para além de 2028 como confirmou que o futuro continuará com Miguel Oliveira e o também piloto Danilo Petrucci. Mas não é tudo, a marca alemã, atual campeã de construtores, planeia igualmente passar a contar com uma equipa satélite.
Sven Blusch, diretor da BMW Motorrad Motorsport, garantiu que o atual domínio da Ducati, vencedora todas as três corridas, incluindo as Superpole, nas quatro etapas até ao momento, e sempre através do italiano Nicolò Bulega, não durará para sempre.
Durante a ronda de Balaton, na Hungria, o responsável alemão delineou em entrevista ao jornalista Riccardo Guglielmetti, do site GP One, os objetivos da marca de Munique, confirmando um novo programa plurianual que abrange tanto o Superbike como o Endurance.
«Estamos muito felizes por anunciar um plano a longo prazo que inclui o Superbike e o Endurance», afirmou Blusch. «É um programa plurianual, e esta é a melhor notícia que poderíamos partilhar hoje. Não é segredo que queremos continuar com a estrutura de Shaun Muir. Já começámos a conversar e estamos finalmente em posição de discutir contratos com os pilotos e com a equipa».
Embora a duração exata do novo acordo ainda esteja em negociação, Blusch sublinhou que se trata de uma «visão a longo prazo» de vários anos. «O desporto motorizado é fundamental para a nossa marca e para o ADN da BMW, e isso foi confirmado internamente», acrescentou.
A possibilidade de uma equipa satélite está também em cima da mesa, embora a prioridade imediata seja outra. «Esta é uma notícia muito recente, da semana passada. Agora precisamos de nos sentar e discutir o futuro. A prioridade é consolidar tudo o que já construímos e, depois, possivelmente, falar também de uma equipa satélite. Primeiro, temos de assegurar o projeto atual; depois pensaremos na expansão».
No que toca aos pilotos, a intenção é clara. «Nada mudou. Estamos muito satisfeitos com os nossos pilotos e agora podemos iniciar discussões concretas sobre a renovação dos seus contratos», confirmou, referindo-se a Oliveira e Petrucci.
Sobre o estado de saúde de Miguel Oliveira, Blusch informou que não há novidades imediatas. «Ele fará mais exames na próxima semana e daremos notícias quando tivermos mais informações. Não é fácil para ele ficar parado e relaxar, mas está totalmente focado na sua recuperação».
Recorde-se que na passada temporada, na saída do MotoGP, Oliveira assinou por uma época com opção de renovação para 2027. Sabendo-se que não competirá na Rep. Checa por estar a recuperar do acidente de que foi vítima na Hungria.
Miguel (85 pts) ocupa a 4.ª posição no Mundial de pilotos liderado pelo italiano Nicolo Bulega (248), seguido pelo espanhol Iker Lecuona (Ducati, 166 pts) e o britânico Sam Lowes (Ducati, 99). O italiano Petrucci, companheiro de equipa do português na equipa, é 11.º com 46 pontos.
O diretor da BMW defendeu ainda a competitividade da sua moto, que, segundo ele, está em constante evolução. «Provámos nos últimos anos que temos uma moto competitiva. Mesmo nesta temporada, estamos consistentemente perto do pódio. O potencial da nossa moto continua lá, e a temporada é longa», argumentou, acrescentando que o equilíbrio de forças no campeonato muda constantemente. «Hoje, o campeonato atravessa uma fase diferente, mas não há razão para pensar que ficará assim para sempre».
Com a chegada da Liberty Media à gestão do campeonato, as expectativas são altas. Blusch espera «grandes batalhas em pista, muitos vencedores e uma presença mais internacional», algo que os construtores pedem «há muito tempo». Para que isso aconteça, o responsável alemão pede uma coisa: «Estabilidade regulamentar. Se as regras mudam todos os anos, nenhum construtor consegue desenvolver verdadeiramente a sua moto».
A estabilidade regulamentar é defendida como um pilar essencial para o desenvolvimento e a competitividade no desporto motorizado, numa altura de constantes alterações às regras.
Nos últimos anos, o panorama tem sido marcado por mudanças frequentes, desde o sistema de pesos ao limite de combustível. No entanto, a posição defendida é clara. «As regras devem ser estáveis». Embora se reconheça que «a Ducati tem uma vantagem neste momento e que muitos dos seus pilotos estão na frente», a solução não passa por «reagir todos os anos mudando completamente as regras».
A abordagem proposta foca-se antes no trabalho de desenvolvimento para diminuir a diferença de desempenho. «Temos de trabalhar para encurtar a distância através do desenvolvimento. Nós também estamos continuamente a evoluir a mota, e o nosso objetivo é diminuir essa diferença. Devemos respeitar as regras atuais e trabalhar dentro desse enquadramento».
Recorde-se que a definição dos regulamentos é da responsabilidade da FIM e da Dorna, com o apoio da associação de construtores MSMA, sendo crucial que «todos trabalhem em conjunto». A estabilidade, tal como noutros desportos, é vista como um fator que «ajuda ao desenvolvimento e à competitividade».
As discussões sobre o futuro regulamentar irão prosseguir, envolvendo todas as partes interessadas: «É uma discussão que continuaremos a ter em conjunto com a MSMA, a FIM, a Dorna e a Liberty Media».
Relativamente à entrada da Liberty Media, as expectativas são elevadas, tendo em conta o seu historial de sucesso na Fórmula 1. «Sabemos o quanto a Liberty Media ajudou a Fórmula 1 a crescer e esperamos que também possam trazer novas ideias para aqui», foi afirmado, sublinhando um dos maiores desafios do desporto motorizado moderno: «ser capaz de oferecer aos espetadores algo que nunca viram antes».
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