Festa casapiana após o primeiro golo da partida, apontado por Larrazabal — Foto: Carlos Barroso/LUSA
Festa casapiana após o primeiro golo da partida, apontado por Larrazabal — Foto: Carlos Barroso/LUSA

Bicadas no tempo devido para voo certeiro dos gansos (crónica)

Larrazabal, ainda na primeira parte, e Lawrence Ofori, já no quarto de hora final, selaram continuidade dos casapianos na Liga. Azuis-grená com todas as forças

Festa de um lado, tristeza do outro. O Casa Pia selou a permanência na Liga, o Torreense não conseguiu voltar à elite nacional, onde esteve pela última vez na época 1991/1992.

Após o nulo na primeira mão, há mais de uma semana, o emblema do Oeste chegava a este duelo decisivo com confiança redobrada: além de poder lutar pela subida de divisão, trazia na bagagem a histórica Taça de Portugal, conquistada no passado domingo, por ocasião do épico triunfo (2-1, após prolongamento) diante do Sporting, no emblemático Estádio Nacional, em pleno Jamor.

Talvez devido a esse estado de alma, a formação orientada por Luís Tralhão entrou com tudo e tentou chegar cedo à vantagem — tal como, de resto, havia acontecido frente aos leões, quando Kévin Zohi festejou logo aos 4 minutos —, mas a verdade é que Dany Jean (4'), Musa Drammeh (5' e 10') e Javi Vazquez (6') — que tiro, ainda do seu meio-campo defensivo (!), a obrigar Patrick Sequeira a recuar rapidamente e voar para impedir um golaço do lateral-esquerdo espanhol — não acertaram no alvo.

O conjunto de Álvaro Pacheco (viu o jogo na bancada, devido a castigo) reagiu e a partir do quarto de hora conseguiu equilibrar as operações. E também criou situações de finalização, como foram os casos dos lances protagonizados por Dailon Livramento (18', 20' e 29') e Khaly (29'). Mas quem tinha a mira devidamente calibrada era Larrazabal: assistência de Kevin Prieto e remate cruzado do ala espanhol sem hipótese de defesa para Lucas Paes. Marcador inaugurado.

A etapa complementar continuou intensa e teve (ainda) mais Torreense. Os azuis-grená (incrível a disponibilidade física de quase todos os jogadores que, com apenas três dias de descanso, deram uma resposta absolutamente fantástica) partiram para cima do adversário, mas não tiveram a assertividade que desejavam no último terço ofensivo. As chegadas à área contrária eram uma constante, tanto pela exploração dos corredores, como através do jogo interior, mas faltava sempre qualquer coisa. Isto, claro está, a somar à excelente organização defensiva dos casapianos.

Alejandro Alfaro ameaçou de meia distância (63' e 73'), mas quem não marca... sofre: numa das transições do Casa Pia, Korede Osundina trabalhou bem pela esquerda e ofereceu a sentença a Lawrence Ofori (78'). Estava tudo dito.

Glória ao Casa Pia, que com duas bicadas à ganso fez voo certeiro para a permanência na elite, honra ao Torreense, que lutou até à última gota de suor por mais uma página de glória. Chama-se cair de pé.

ÁLVARO PACHECO (TREINADOR DO CASA PIA):

Fizemos uma primeira parte com várias oportunidades de golo e a margem ao intervalo até podia ser mais dilatada. Fomos inteligentes na segunda parte e acabámos por fechar com mais um golo. Tivemos mérito e merecemos ficar na Liga.

LUÍS TRALHÃO (TREINADOR DO TORREENSE):

O que me vai na alma é o orgulho pelo que fizemos. Há uns meses era impensável estarmos a lutar pela subida de divisão e termos conquistado a Taça de Portugal. Não fomos inferiores ao Casa Pia nos dois jogos. O grupo sentiu que podia lá chegar.

As notas dos jogadores do Casa Pia:

As notas dos jogadores do Torreense:

Lucas Paes (6), David Bruno (5), Mohamed Ali-Diadié (6), Stopira (6), Javi Vazquez (6), Guilherme Liberato (6), Leo Azevedo (6), Costinha (5), Luis Quintero (5), Musa Drammeh (5), Dany Jean (6), Alejandro Alfaro (6), Danilo Ferreira (5), Kévin Zohi (5), Ismail Seydi (5) e André Simões (—).

Notícia atualizada às 23h56

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