Bezerra vilacondense deu leite nos Açores (crónica)
No lançamento do jogo, Petit deixou o aviso: o Rio Ave obteve quatro das sete vitórias que tinha até então na Liga, fora dos Arcos. E tinha razão. Nos Açores alcançou mais uma, foi eficaz e aproveitou as bolas paradas. E somou mais três pontos rumo ao objetivo, a permanência, que está cada vez mais próxima. Os açorianos estiveram muitos furos abaixo do que tinham transmitido nos últimos jogos.
A qualidade do primeiro tempo deixou muito a desejar, com poucos motivos de interesse e escassa emoção junto das balizas. E houve muitos erros, com perdas de bolas e pouca organização que travou a progressão ofensiva das duas equipas. Os açorianos tiveram mais presença no meio-campo contrário, mas só criaram perigo em remates de longe, por Klismahn, detido por van der Gouw, e por Gabriel Silva, que passou ligeiramente ao lado.
Sem Blesa – o espanhol não saiu do banco – o Rio Ave foi à pesca com Tamble Monteiro e o avançado esteve perto de sacar um golo, desperdiçando a única oportunidade da sua equipa nesse período (e a primeira do jogo), quando tentou colocar em jeito, com Gabriel Batista a voar para defender junto à base do poste esquerdo.
O descanso foi bom tónico, principalmente para os visitantes, e bem diferente foi a segunda metade, que começou com o Rio Ave a adiantar-se no marcador. Depois de ameaçar por Bezerra, quando surgiu solto na direita e atirou para defesa de Gabriel Batista, os vilacondenses chegaram ao golo por Nikitscher, na sequência de canto: Bezerra tocou para Vrousai cruzar para o segundo poste, com o médio a cabecear para o lado contrário, fazendo um balão e a não dar hipótese a Gabriel Batista.
Petit reagiu de imediato, lançou unidades de pendor ofensivo, como Vinícius Lopes, Brenner Lucas e Gonçalo Paciência, mas viu a aposta traída pouco depois com um autogolo de Sidney Lima. O central cabeceou para a própria baliza um livre de Bezerra, que já tinha sofrido antes um desvio de Gabriel Silva. O Rio Ave deu um passo importante rumo à permanência, com grande eficácia nas bolas paradas. Nos Açores os vilacondenses tiveram um Bezerra que forneceu leite (golos).
A desinspiração no Santa Clara foi real e apenas por uma vez os açorianos estiveram perto de marcar, pela cabeça de Gonçalo Paciência, aos 84 minutos. Muito pouco...
As notas dos jogadores do Santa Clara: Gabriel Batista (6), Lucas Soares (5), Sidney Lima (5), Henrique Silva (5), Guilherme Romão (5), Klismahn (5), Pedro Ferreira (5), Serginho (5), Gabriel Silva (5), Fernando (5), Welinton Torrão (5), Vinícius Lopes (5), Brenner Lucas (5), Gonçalo Paciência (5), Diogo Calila (4) e Djé Tavares (-)
As notas dos jogadores do Rio Ave: van der Gouw (5), Vrousai (6), Brabec (6), Gustavo Mancha (6), Nelson Abbey (6), Ntoi (5), Nikitscher (6), Bezerra (6), Olinho (6), Spikic (5) Tamble Monteiro (5), Ryan Guilherme (4), Petrasso (-), Papakanellos (-), Liavas (-) e João Tomé (-)
Petit, treinador do Santa Clara
«Foi um jogo fraquinho de ambas as partes. Foi o nosso pior jogo desde que estou aqui, não conseguimos ligar entre setores, dar três, quatro passes e progredir. Trabalhámos, sabíamos onde estavam os espaços, mas quando uma equipa está pouco ativa e com pouca intensidade, torna-se mais difícil. O Rio Ave faz dois golos de bola parada num jogo onde não houve muitas oportunidades. Mexemos, mudamos para 4x4x2, mas quando levamos com o segundo golo fica mais difícil. Perdemos bem.»
Sotiris Silaidopoulos, treinador do Rio Ave
«O segredo foi o carácter coletivo da equipa, que tivemos do primeiro ao último minuto. Não permitimos ao Santa Clara criar oportunidades de golo. Sabíamos que eles são uma equipa muito difícil de lidar quando estão em espaço aberto e por isso tentámos pressionar muito alto para não permitir que pusessem a bola nas costas da defesa. É muito positivo termos ganho. Estamos numa posição mais confortável, mas temos de continuar assim nos últimos cinco jogos e encontrar estabilidade nas exibições.»