Atlético Madrid ganha e Barça precisa de um milagre (crónica)
BARCELONA — O Atlético Madrid deu um grande passo em frente para conseguir o apuramento para as meias-finais, conseguiu um excelente 2-0. Mas o Barcelona não se dará por vencido e procurará, terça-feira, que haja um milagre no Metropolitano.
Por vezes, uma jogada isolada pode decidir a sorte de um desafio e até da uma eliminatória. Isso foi o que sucedeu ontem, quando faltavam escassos cinco minutos para o intervalo: Giuliano Simeone recebeu passe em profundidade, isolou-se e antes de chegar à área foi derrubado por Pau Cubarsí. O árbitro assinalou falta e mostrou cartão amarelo ao central do Barça, mas o VAR, Christian Dingert, chamou à atenção do romeno Kovács, que, depois de rever o lance, decidiu mudar de opinião e castigar com cartão vermelho o erro cometido pelo jovem jogador.
Com a expulsão, o Barça ficou condenado a disputar o resto do desafio com um jogador menos, mas a desgraça não acabou aí: Julián Álvarez, encarregado de apontar o livre, rematou com precisão e força, mandando a bola ao canto superior esquerdo da baliza, para Joan Garcia foi impossível chegar ao esférico e evitar um golo verdadeiramente espetacular.
Curiosamente, no desafio de domingo passado entre as duas equipas, sucedeu o mesmo, mas ao contrário, foi o Atlético que, na mesma altura do jogo, ficou com um a menos, por expulsão de Nico González.
Até chegar a esse lance tão transcendente, o Barcelona tinha sido superior e criado algumas boas oportunidades de marcar. Lamine Yamal, muito ativo, teve uma jogada magnífica, deixando para trás três defesas. Não marcou, mas se o tivesse conseguido, teria sido um dos melhores golos do ano.
Pelo outro lado do ataque, João Cancelo ajudou muito, combinando bem com Rashford, que jogou bem, mas, está claro, que não é Raphinha, o grande ausente.
O Atlético, por seu turno, defendeu-se com ordem, quando podia saía para o contra-ataque e num deles chegou o golo.
O contratempo foi a lesão do defesa Hancko, que teve de ser substituído por Pubill, que viu um cartão amarelo e não poderá disputar a segunda mão.
Apesar de estar em inferioridade numérica, o Barcelona iniciou a segunda parte a toda velocidade, instalou-se no meio-campo visitante e nos primeiros minutos criou várias oportunidades para marcar. Mas nem essas nem as que teve até final da partida tiveram êxito, em boa parte por culpa do argentino Musso, que com as suas excelentes intervenções foi um digno substituto de Oblak.
O Atlético, muito sério no jogo defensivo, também não deixava de tentar aproveitar as possibilidades de responder no ataque e para refrescar a equipa, Simeone fez entrar Sorloth, que respondeu à confiança do seu treinador fazendo o segundo golo do Atlético; centro da esquerda, por Ruggeri e dentro da área adiantou-se a Gerard Martín e mandou a bola para o fundo da baliza de Joan Garcia, que, de novo, nada pôde fazer para evitar o pior.
Comandado pelo incansável Lamine Yamal, que levou a equipa às costas, o Barça fez tudo o que pôde para, pelo menos, conseguir diminuir a diferença, mas o tempo foi passando e o resultado manteve-se até final.
O Atlético está no caminho de tornar-se na besta negra do Barcelona, já que saiu vencedor nas duas vezes que se defrontaram em eliminatórias da Champions e numa altura em que Messi era a grande estrela.
O Barcelona tinha, até agora, ganho todos os desafios em casa desde que regressou ao remodelado Spotify Nou Camp, mas sempre há uma primeira vez e esta foi bastante dolorosa. Nem tudo está perdido, mas será muito difícil dar a volta à situação. João Cancelo teve a difícil missão de marcar a Julián Álvarez, mas como este jogou muito recuado, teve tempo e espaço para ajudar no ataque e teve na segunda parte uma grande jogada que quase termina em golo. Esgotado fisicamente pelo grande esforço que teve de fazer, foi substituído por Baldé já na parte final da partida.