Fafe fez história na Taça ao eliminar o SC Braga e chegar às meias-finais. Foto Hugo Delgado/LUSA
Fafe fez história na Taça ao eliminar o SC Braga e chegar às meias-finais. Foto Hugo Delgado/LUSA

Às vezes dá vontade de 'martelar' um sorteio

FC Porto intenso, Benfica com objetivos de pé e um desejo pouco secreto para o sorteio das meias-finais da Taça: um Torreense-Fafe e a consequente certeza de um 'não grande' na final do Jamor

Fugiu, a boca de Diogo Costa, para o lado da verdade ao assumir, na flash interview após o clássico de ontem, que «às vezes o trabalho vale mais que a qualidade». Claro que nada é assim tão simples, mas a leitura imediata é certeira: foi na intensidade, no esforço e na forte crença que o FC Porto alicerçou uma importantíssima vitória, que o deixa em excelentes condições de procurar a dobradinha nas principais provas portuguesas.

Foi num pormenor que se decidiu o jogo e isso era expectável. O Benfica, de lição bem estudada, fez quase tudo o que podia ter feito para seguir em frente e manter a chama de um título acesa. Só não marcou, e isso paga-se caro (inacreditável o falhanço de Pavlidis).

Quanto a títulos parecemos, portanto, conversados no que respeita à segunda metade da época encarnada. Só uma enorme hecatombe de FC Porto e Sporting juntos permitiria reunir fatores que levassem os encarnados ao primeiro lugar da Liga. Sobre a UEFA Champions League manda o bom senso que nenhuma equipa portuguesa pense no assunto nas próximas décadas. E a tendência não vai para melhor neste aspeto, mas isso fica para discutir noutra altura.

O Benfica tem, porém, um enorme objetivo ao alcance, pelo que é prematuro anunciar uma espécie de final antecipado de temporada. A diferença entre ficar em segundo ou em terceiro lugar pode determinar muito do futuro da equipa e do clube, e o Sporting está, no limite, à distância de uma vitória no dérbi de Alvalade na segunda volta.

Um eventual apuramento para a fase seguinte da Liga dos Campeões não está fora de horizonte e poderá ajudar a construir pensamentos mais positivos para o que falta da época. De qualquer forma, talvez haja uma decisão importante a tomar... já, e não apenas no final da temporada: Mourinho tem, no Benfica, um projeto ou uma missão a prazo? Se for para continuar após o verão há muitos passos em direção ao futuro que podem ser dados entretanto; se a ideia é vencer o mais possível dentro do possível, então teremos os encarnados, em junho, a começar tudo de novo.

Voltando à Taça de Portugal, uma inconfidência de que não me envergonho: gostava que o sorteio de hoje ditasse um Fafe-Torreense nas meias-finais. A ordem é irrelevante, já que ainda se jogarão a duas mãos (felizmente pela última vez).

A certeza de ter uma equipa de escalão inferior no Jamor seria um belo alento para a Prova Rainha.